Dr. Cristiano Nabuco

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Celular e gravidez: Quanto maior o uso, maiores são as chances de problemas
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Dr. Cristiano Nabuco

fotolia – Kwangmoo

Sabe o telefone celular?  Aquele aparelho que usamos dezenas ou até centenas de vezes ao dia. Aquele, com múltiplas funções. Pois é, todos nós, sem exceção, o conhecemos muito bem. Entretanto, o que pouca gente ainda sabe é que esses dispositivos emitem um campo eletromagnético que, embora considerado “seguro” pela Organização Mundial de Saúde, começa a mostrar implicações mais sérias a longo prazo.

Até o presente momento, ninguém tinha conhecimento de que uma exposição mais prolongada – a exemplo de como utilizamos o celular atualmente – pode ter consequências bastante sérias para saúde de nossos filhos.

Pesquisadores têm se perguntado a respeito das consequências dessas radiações em crianças que, devido ao processo de desenvolvimento neurológico ao longo da gravidez, poderiam ser, de alguma forma, afetadas. Estudos com ratos em gestação, por exemplo, demonstraram que os filhotes mais expostos, quando por ocasião de seu nascimento, exibiam alteração dos neurônios, hiperatividade e falta de atenção e/ou outros importantes prejuízos nas funções cognitivas (de raciocínio). Outros estudos, entretanto, ainda não confirmavam esses achados.

Entretanto, recentemente foi publicada uma pesquisa internacional de larga escala envolvendo quase 84 mil pares de pessoas (mães e seus respectivos filhos), junto a populações da Dinamarca, Coreia, Holanda, Noruega e, finalmente, a Espanha.

E os achados foram inquietantes.

Os pesquisadores da Dinamarca, por exemplo, realizaram duas análises independentes (a primeira com 12.796, e a segunda com 28.745 mães e seus respectivos filhos), demostrando que, quanto mais o telefone celular foi usado pelas mães no período de gestação e aos 7 anos de idade (dois períodos pontuais de avaliação), maiores foram os problemas emocionais e de comportamento apresentados pelos filhos aos 11 anos de idade.

A pesquisa é muito longa e muito detalhada para ser descrita na íntegra neste texto, além do fato de os próprios pesquisadores relatarem que a interpretação dos resultados ainda não é muito clara, devido a vários fatores (por exemplo, qual seria a posição do feto na barriga das mães avaliadas e qual interferência isso poderia ter na recepção dos campos magnéticos pelos bebês? Ou, ainda, em qual local essas mães carregavam seus aparelhos junto ao corpo? Isso teria alguma influência?).

Enfim, de uma maneira geral, o que pode ser dito, a partir das investigações e das análises estatísticas individuais dos participantes de todos os países, demonstra que aquelas mães que utilizaram com menos frequência o telefone celular durante a gravidez, foram as que apresentaram menores riscos de terem problemas comportamentais junto aos seus filhos.

fotolia Kwangmoo

Ou seja, o aumento do uso do celular durante a gestação pode estar associado a uma maior probabilidade de as crianças apresentarem hiperatividade e falta de atenção, ou seja, a presença desses problemas comportamentais e de hiperatividade foi correlacionada de maneira bastante expressiva junto àquelas mães que mais usaram o celular durante a gravidez e o período de formação de seus bebês.

Importante dizer: esse foi o maior e mais consistente estudo realizado até o presente momento.

O que fazer então? Bem, esta é uma excelente pergunta.

De acordo com a pesquisa descrita, fica óbvio então que as mães precisariam manter uma distância do celular durante a gestação de seus pequenos, pois quanto maior for o uso, maiores serão as chances de aparecimento de problemas posteriores. Assim sendo, prefira os telefones fixos e, um palpite pessoal, se me permite, procure ficar longe destes aparelhos enquanto mais pesquisa possa ser conduzida e, assim, nos dar um pouco mais de segurança.

Atualmente, os celulares viraram uma das coisas mais importantes na vida de milhares de pessoas – sem falar nas crianças – e ninguém se pergunta de maneira responsável, quais os efeitos disso sobre nossa saúde. Há um “glamour” em volta dos aplicativos de celulares, das redes sociais etc, e seria muito importante se pudéssemos ficar mais atentos.

Referência

FONTE: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/28392066


O efeito do celular sobre seu cérebro, mesmo estando desligado
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Dr. Cristiano Nabuco

kieferpix – fotolia

Não é novidade para ninguém as inúmeras possibilidades que um smartphone pode trazer à vida de cada pessoa.

Adoramos nos comunicar com os outros através das redes sociais, dar uma olhada nos lugares que planejamos visitar, pesquisar preços de produtos, tirar fotos, filmar e, acima de tudo, nos distrair nos momentos de lazer, inclusive quando estamos presos no trânsito.

Os números apontam que os proprietários de smartphones interagem com seus telefones, em uma média aproximada de 85 vezes por dia, como, por exemplo, imediatamente após o despertar, no banheiro, caminhando na rua ou no metrô, dirigindo o carro, durante as aulas ou reuniões, na cama antes de dormir e, não raro, no meio da noite. Não é de se estranhar então que 91% afirmam que nunca saem de casa sem seu telefone e, finalmente, 46% dizem que não poderiam viver sem eles.

Assim, os celulares representam tudo o que o mundo conectado tem para oferecer, condensado em um único dispositivo que se encaixa na palma da mão e que, quase nunca, sai de nosso lado.

Além de todas as benesses que a tecnologia nos trouxe, eu, pessoalmente, tenho escrito bastante a respeito dos “efeitos colaterais” que essa utilização contínua criou junto a algumas pessoas que se tornam, verdadeiramente, dependentes de seus smartphones.

Mas, ainda que todos nós saibamos muito bem a respeito dos riscos, uma nova pesquisa se debruçou sobre um outro aspecto até então nunca investigado: que efeito um celular pode criar para nós mesmos, estando desligado.

Nosso cérebro

É bem sabido que podemos desempenhar várias funções cognitivas, ou seja, nossa “mente” realiza várias operações simultâneas ao longo do dia. Assim, para vivermos, precisamos nos recordar de situações passadas, fazer inferências a respeito de ações futuras e, ao mesmo tempo, manejar nossa atenção frente aos mais variados estímulos que nos chegam a cada momento. É como se nosso cérebro executasse, portanto, uma função gerencial.

Com todas essas atividades sendo realizadas, obviamente nossa atenção vai priorizar o que para nós é vital e, portanto, mais importante, mesmo que não estejamos lá muito conscientes dessas ações. Quem já não viu uma mãe, estando ocupada com alguma tarefa distante de seu filho, quando, subitamente, o mesmo chora em outro local e, quase que de maneira inaudível, consegue atrair repentinamente a atenção da cuidadora?… Pois bem, é mais ou menos assim que as coisas ocorrem conosco.

Igor Mojzes – fotolia

Embora tenhamos uma boa capacidade de manejar as coisas, essa capacidade de atenção é limitada, fazendo com que nosso cérebro, de maneira instintiva, eleja o que é mais significativo em nossa vida, levando nossa atenção a ficar, portanto, no aguardo de ser solicitada para aquilo que consideramos mais importante.

Tendo isso tudo em mente, pesquisadores procuraram investigar qual o efeito que os smartphones – como são importantes na vida das pessoas -, poderiam exercer sobre essa capacidade atencional de nosso cérebro, ou seja, se a sua mera presença no ambiente poderia criar algum tipo de efeito negativo sobre nossa produtividade mental.

A pesquisa

Assim, dois grupos foram divididos em um determinado experimento que consistia em realizar tarefas que exigiam a atenção dos participantes. O primeiro grupo de pessoas foi obrigado a deixar seu telefone “fora da sala”, enquanto que, ao outro grupo foi permitida a sua entrada junto aos sujeitos durante a realização das atividades.

Ao final das tarefas de ambos os grupos, avaliou-se o resultado.

O grupo que realizou as atividades com o celular nas proximidades (leia-se: dentro da bolsa ou com o aparelho virado com a tela para baixo sobre a mesa), foi o que apresentou as menores performances nos trabalhos propostos pelos investigadores, se comparado ao grupo de deixou o aparelho em outro ambiente.

A pesquisa identificou que a presença do celular nas proximidades criou um efeito colateral potencialmente danoso, chamado de desvio atencional, ou seja, notou-se que sua mera presença fez com que um problema maior aparecesse.

Vou explicar.

andilevkin – fotolia

A investigação indicou que os sinais sonoros, quando emitidos pelo próprio telefone (mas não os de outra pessoa), acabavam por ativar o sistema de atenção involuntária do cérebro – semelhante ao sistema que responde ao ouvirmos o som de nosso próprio nome – e, desta forma, quando esses celulares estavam expostos no ambiente, sua condição de um estímulo de “alta prioridade” fez com que atuassem de maneira a ativar, espontaneamente, os sistemas de atenção cerebral dos participantes.

Ainda que as pessoas estivessem envolvidas na resolução das tarefas para as quais seu smartphone não era, necessariamente, relevante para a realização do trabalho proposto pela experiência -, mas, como estava nas proximidades, a atenção consciente dos sujeitos desviava-se da tarefa focal, de tempos em tempos, roubando a atenção que seria usada na realização das tarefas centrais.

A manifestação de pensamentos e dos comportamentos de checagem associados ao celular (por exemplo: “será que alguém me passou mensagens?”, “será que eu ouvi o telefone tocar?” etc) passaram a constituir uma verdadeira “distração digital” que afetou negativamente o desempenho das tarefas do segundo grupo.

Além disso, como muitas pessoas têm consciência dessa distração, muitas vezes gastam ainda mais recursos atencionais para procurar inibir a atenção que é voltada naturalmente ao telefone, comprometendo de forma ainda mais intensa a qualidade e densidade das atividades mentais em curso.

Conclusão

Se você, portanto, é daqueles que, quando faz alguma atividade que exige mais concentração, vira o telefone com a tela para baixo, coloca seu aparelho no modo silencioso para não ser importunado, saiba, portanto, que isso não tem qualquer utilidade.

Segundo a pesquisa, apenas uma ação é suficiente para assegurar uma melhora mental: a separação de seu telefone.

Mesmo estando em psicoterapia, é incrível ver a quantidade de vezes que meus pacientes param de falar assuntos verdadeiramente importantes, apenas para “dar uma olhadinha” na mensagem que acaba de chegar, atrapalhando o encadeamento emocional dos temas e dos assuntos em questão.

Se você faz isso em sua vida e em seu trabalho, fique atento, pois, sem perceber, sua produtividade pode estar sendo seriamente comprometida.

Dicas

Trabalho:

a) Procure se manter afastado de seu smartphone e, como relata a pesquisa, mantenha-o distante (não o deixe no mesmo ambiente);

b) Quando for fazer uma pausa para café ou para ir ao banheiro, dê uma olhada e eleja o que, de fato, é importante para dar uma resposta no momento. O que for irrelevante, faça-o em outros momentos.

c) Não o leve para reuniões ou outras situações que exigem concentração máxima.

d) Interaja com seus colegas. A capacidade de poder olhar nos olhos e compreender a emoção alheia é a chave central para desenvolver uma boa inteligência emocional, fundamental para seu trabalho.

Escola:

a) Procure se manter afastado de seu smartphone e, como relata a pesquisa, mantenha-o distante (não o deixe no mesmo ambiente). Caso não seja possível, mantenha-o dentro da mochila e a deixe longe de você, preferencialmente desligado);

b) Quando for o intervalo, dê uma olhada e eleja o que, de fato, é importante para dar uma resposta no momento. O que for irrelevante, faça-o em outros momentos. Ninguém vai morrer pelo seu silêncio momentâneo.

c) Interaja presencialmente com seus colegas, em vez da maneira digital. As verdadeiras amizades, muitas vezes, nascem nessa época.

Casa:

a) Procure se manter afastado de seu smartphone e, como relata a pesquisa, mantenha-o distante (não o deixe no mesmo ambiente);

b) Não deixe o celular no criado mudo e não o use como despertador, coloque-o em outro ambiente que não o seu, fora do seu quarto (o sinal sonoro que chega ao longo da noite interrompe a entrada no sono profundo, que é o sono verdadeiramente reparador).

c) Não o leve à mesa durante as refeições.

d) Interaja com seus familiares, pois eles precisam de sua atenção.

 

Fonte

http://www.journals.uchicago.edu/doi/10.1086/691462

 

Agradecimentos

Evelyn Eisenstein


Celular e volante: Combinação perigosa
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Dr. Cristiano Nabuco

theartofphoto – fotolia

Não restam dúvidas: a tecnologia veio para ficar. E instalou-se não apenas facilitando nossas vidas, mas também criando alguns efeitos colaterais bastante impactantes, como todos nós já sabemos.

Seguramente, usar dispositivos digitais enquanto se dirige é um exemplo bastante claro de tais efeitos colaterais. Você está em seu carro e percebe que o carro à sua frente segue em uma rota sinuosa, vagarosa e desatenta. Você pensa: Será que esse motorista está bêbado? Não, não… ele (ou ela) está usando o celular. O efeito de dirigir e falar ou enviar mensagens pelo celular não é muito diferente de beber e dirigir.

Enviar mensagens de WhatsApp, verificar as curtidas de suas postagens do Facebook, buscar alguma música desejada, dar uma olhada no Instagram ou, simplesmente, pesquisar algum tema na internet. Estes comportamentos denotam uma total falta de conscientização do risco que, em si, não é considerado suficientemente perigoso para frear essas pessoas.

No entanto, as estatísticas vêm mostrando que as novas tecnologias realmente colaboram para a distração dos motoristas. No Brasil, seu uso já figura entre as maiores causas de acidentes automobilísticos (1-2) e, no exterior, já é considerado como uma das principais causas. (3)

Dados de 2015 do seguro Dpvat (Brasil) informam que foram pagos naquele ano cerca de 1,3 milhão de reais por morte ou invalidez em acidentes relacionados ao uso do celular. Os dados também mostram que 80% dos motoristas admitem que utilizam o aparelho ou outras tecnologias que geram distração enquanto dirigem. (4)

Vamos dar uma olhada em alguns números de pesquisas americanas: (5)

– 9 é o número diário de mortos em acidentes decorrentes de distração na direção, tal como usar o telefone celular ou enviar mensagens de texto.

– Em 2013, o número de acidentes de trânsito causados pelo envio de mensagens de texto foi de 341 mil.

– Em 2016, 1 em cada 4 acidentes foi causado pelo uso impróprio do celular.

– 33% é a porcentagem de motoristas dos EUA com idade variando entre 18 a 64 anos que relataram ter lido ou escrito mensagens de texto enquanto dirigiam no mês anterior.

Entre os jovens, a situação é pior: o envio de mensagens de texto é apontado como o maior causador de acidentes de trânsito. (6)

Vale a pena reforçar: em muitos casos, receber uma mensagem ou um post no Facebook é um estímulo social bastante recompensador que, provavelmente, estimula os circuitos dopaminérgicos de recompensa no cérebro.

Sabemos que o cérebro humano somente estará plenamente maturado depois dos 21 anos de idade. Antes disso, os jovens apresentam uma dificuldade natural de frear comportamentos de risco, o que deixa os motoristas mais jovens mais vulneráveis aos estímulos derivados da tecnologia e, portanto, com maior probabilidade de agir de forma impulsiva.

Além disso, o risco de acidentes causados pelos smartphones é aumentado por nos obrigar a realizar a chamada “multitarefa” – isto é, fazer várias coisas ao mesmo tempo.

Uma pesquisa da AT&T mostrou que quase 4 em cada 10 usuários de smartphones acessam suas mídias sociais durante a condução do veículo, quase 3 em cada 10 surfam na web e (pasmem!) 1 em cada 10 se envolve em um bate-papo por vídeo. (7)

Achou preocupante?…

Flavijus Piliponis – fotolia

Então veja só: 7 em cada 10 pessoas se envolvem em atividades usando o celular enquanto dirigem. Enviar mensagens de texto e e-mail ainda são os mais prevalentes. Entre as plataformas sociais, o Facebook encabeça a lista, com mais de um quarto das pessoas consultadas admitindo usar o aplicativo durante a condução de um veículo. Cerca de 1 em cada 7 disse que está conectado ao Twitter ao volante.

Vamos avaliar o seu risco?

Então caneta e papel na mão. Responda o “quiz” abaixo e descubra quais são seus comportamentos ao dirigir seu carro que representam um risco. Ao final do quiz, some os pontos descritos entre parênteses. A soma total obtida traz uma estimativa do nível de risco associado “intencionalmente” por você, na semana anterior, enquanto guiava:

-Atendi o telefone enquanto dirigia. (1 ponto)

-Fiz uma ligação (inclusive disquei) enquanto dirigia. (2 pontos)

-Li uma mensagem de texto enquanto estava parado no semáforo. (1 ponto)

-Enviei uma mensagem de texto enquanto estava parado no semáforo. (1 ponto)

-Li uma mensagem de texto enquanto dirigia. (2 pontos)

-Digitei e enviei uma mensagem de texto enquanto dirigia. (2 pontos)

Para especialistas americanos (National Transportation of Safety Board, NTSB e Conselho Nacional de Segurança, NSC), se a soma de seus pontos foi superior a 1, sua atenção esteve prejudicada. Mas não sejamos tão rígidos. Há uma outra classificação, um pouco menos severa, que nos dá uma noção da graduação do risco.

Por meio dessa classificação, somando seus pontos, qual seria então seu grau de risco? (8)

De 1 e 3: Seu grau de risco foi moderado.

De 4 e 6: Você correu um risco alto de sofrer um acidente.

Acima de 6: Você assumiu um grau de extremo risco ao dirigir.

Para compreender melhor a dimensão do problema, vejamos um pouco da matemática e da física durante o uso de dispositivos móveis ao volante. Voltar os olhos para um aplicativo consome 5 segundos de nossa atenção. Parece pouco? Repense. Isso significa que, se estiver dirigindo a 80 km/h, você terá percorrido nada menos do que um campo de futebol. Completamente “às cegas”. (9)

Conclusão

É curioso notar que, nos sentindo adultos, responsáveis e capazes de “pesar” o grau de risco de nossas ações envolvendo o uso dos celulares no trânsito, insistentemente continuamos a ter comportamentos perigosos como se nada de errado estivesse ocorrendo.

fotohansel – fotolia

Segundo várias pesquisas, porém, esta forma de autorregulação pessoal (celular e o trânsito) tem se mostrado bastante ineficaz, ainda que você se sinta com uma boa dose de consciência e controle. Portanto, o momento em que decidimos pegar um smartphone durante um trajeto de carro, estamos intencionalmente assumindo um risco expressivo.

Enviar aquela única mensagem de WhatsApp, por exemplo, que geralmente não tem qualquer relevância para sua vida, pode de fato causar a você e aos que estão ao redor um sério problema.

Pense nisso.

Mas antes de terminar, cá entre nós: Será que a tecnologia efetivamente nos proporciona uma vida de maior qualidade? Estaremos nós realmente preparados para lidar com ela? Confesso que tenho sérias dúvidas.

 

Referências

1) http://www.transitobr.com.br/index2.php?id_conteudo=9

2) http://www1.roadcard.com.br:8090/noticias/as-dez-principais-causas-de-acidentes-no-transito

3) http://www.huffingtonpost.com/laiza-king-/top-15-causes-of-car-accidents_b_11722196.html

4) http://portaldotransito.com.br/noticias/celular-no-transito-causa-13-milhao-de-acidentes-por-ano/

5) http://www.huffpostbrasil.com/entry/dangers-of-texting-and-driving-statistics_n_7537710

6) http://www.cellphonesafety.org/vehicular/era.htm

7) http://about.att.com/newsroom/it_can_wait_expands_to_smartphone_use_while_driving.html

8) http://www.springerpub.com/internet-addiction-in-children-and-adolescents.html

9) http://about.att.com/story/smartphone_use_while_driving_grows_beyond_texting.htmlcompletarhttp://www.brasil.gov.br/cidadania-e-justica/2016/07/governo-alerta-sobre-risco-do-uso-de-celular-no-transito

 


Celulares, filhos e sua saúde: o que você deveria saber, mas desconhece
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Dr. Cristiano Nabuco

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Desnecessário dizer o quanto a tecnologia mudou nossa vida de maneira drástica na última década, decorrente do barateamento e popularização dos computadores e, principalmente, dos telefones celulares.

Para você ter uma ideia, a população mundial hoje é estimada em sete bilhões de pessoas, sendo que 6,9 bilhões são proprietários de uma “linha móvel”. Nesse sentido, os celulares estão presentes em locais do planeta onde, muitas vezes, nem a água potável ou o saneamento básico ainda estão. (1)

No Brasil, por exemplo, são registrados 276 milhões de linhas de celulares (ANATEL) para uma população de 201 milhões de habitantes (IBGE).

Obviamente que esse convívio estreito com a tecnologia móvel criou uma série de efeitos no cotidiano das pessoas. Os positivos, já conhecemos muito bem, mas os negativos são ainda muito pouco revelados. (2)

Alguns pesquisadores dizem (mas, na verdade, nem precisaria) que o celular atual se tornou um verdadeiro portal pessoal que oferece praticamente tudo que necessitamos (música, fotografia, mensagens, redes sociais etc.), absorvendo parte importante de nosso interesse e atenção. Tanto é verdade que basta uma rápida olhada para ver o que ocorre em parte expressiva das pessoas que transitam nos metrôs, shoppings, cinemas, restaurantes, teatros, praias ou aeroportos. Tais ambientes são ideais para que se possa observar a relação estreita ou, se você preferir, de descontrole ou  excesso que foi criado com a tecnologia da comunicação.

Muito tenho lido a respeito dessas consequências e gostaria aqui de dividi-las com você, pois algumas são efetivamente polêmicas.

Quer saber?…

Vamos lá: Embora ainda sem uma classificação oficial da medicina, a “nomofobia” (medo de ficar sem o celular) é uma das denominações mais frequentes apontadas pela literatura ao descrever episódios de ansiedade e desequilíbrio emocional das pessoas ao serem separadas de seu telefone móvel. Alguns dos sintomas incluem: (a) uma incapacidade de desligar o telefone, (b) verificar de maneira obsessiva chamadas não atendidas, e-mails e mensagens de aplicativos (como whatsApp, Instagram, por exemplo), (c) ficar continuadamente preocupado com a duração da bateria, (d) mostrar-se incomodado de ir a lugares onde o telefone celular não funciona corretamente ou sentir-se mal quando o telefone estiver sem sinal. (2)

Andy Kemshall, cofundador da SecurEnvoy, disse, a respeito dessa classificação, que: “O primeiro estudo em ‘nomophobia’, realizado há quatro anos, revelou que 53 por cento das pessoas sofriam com a condição e, agora, o estudo revela que apenas no Reino Unido, essa marca subiu para 66 por cento e não mostrando sinais de diminuição”.

Caso você ainda não saiba, em uma semana normal, uma pesquisa descobriu que o usuário médio verifica seu telefone aproximadamente 1.500 vezes por semana, ou seja, usa seu gadget durante 3 horas e 16 minutos por dia – ou o equivalente a quase um dia inteiro por semana. Quase 4 em cada 10 usuários admitiu sentir-se perdido sem seu celular. Muitos também confessaram usar seu telefone sem perceber que estão fazendo e, dois terços disseram entrar e navegar no Facebook sem pensar. (3)

Portanto, do ponto de vista da saúde mental, sabemos hoje que muitos dos efeitos observados são semelhantes aos vícios de álcool, drogas e ao jogo patológico. (4)

Uma questão, entretanto, que vem ocupando um espaço importante nas publicações internacionais, diz respeito ao seguinte questionamento: as radiações dos celulares fariam mal à saúde?… (5)

Um estudo divulgado em 2011 pelo Journal of the American Medical Association (JAMA) estimulou o debate ainda mais quando se investigou o papel que os telefones celulares oferecem na atividade cerebral. Embora o relatório não tenha sido conclusivo a respeito dos possíveis efeitos, especula-se que exista alguma consequência negativa sim para a saúde. (6)

Embora essa questão permaneça ainda sob investigação, o periódico Journal of the American Academy of Pediatrics já havia confirmado que as crianças são especialmente sensíveis a todos os campos electromagnéticos, uma vez que o sistema nervoso dos pequenos são ainda muito frágeis, além do fato de que seus ossos e crânio são mais facilmente penetráveis pelas ondas. (7)

A esse respeito, o oncologista sueco Lennart Hardel afirma que crianças e adolescentes são cinco vezes mais propensos a ter um tipo particular de câncer no cérebro em função da radiação emitida por celulares. Conhecido como glioma – um tumor cerebral que, embora os fatores de risco para o desenvolvimento ainda não sejam bem conhecidos -, o único fator de risco ambiental claro é a exposição à radiação. Dessa forma, o oncologista sugere que os telefones celulares não deveriam ser usados de maneira excessiva antes dos 20 anos de idade. (8)

E não é apenas o oncologista que afirma isso, mas recomendações aos pais a respeito dos campos magnéticos aparecem em países como França, Rússia, Bélgica, Austrália, Índia, Canadá, dentre outros. Na Inglaterra, por exemplo, um relatório divulgado pelo Comitê do Instituto Nacional de Proteção Radiológica do Reino Unido (NRPB), um órgão consultivo do governo, exigiu a adoção de uma “abordagem preventiva” para o uso de celulares por crianças. O material reconhece que não há nenhuma evidência de que a radiação de celular seja prejudicial, mas adverte que a possibilidade também não pode ser descartada. (9)

Na França, a proibição fez parte de um pacote legislativo chamado Compromisso Nacional para o Meio Ambiente, aprovado pelo parlamento francês em julho 2010 e exige que todos os celulares sejam vendidos com um fone de ouvido (para evitar o contato direto com a radiação), bem como proíbe anúncios de celulares que sejam destinadas a crianças e adolescentes menores de 14 anos. Além disso, proíbe o marketing e a venda de telefones feitos especificamente para as crianças com idade inferior a 6 anos. (10)

Pesquisadores do Instituto Nacional de Saúde (EUA) descobriram que menos de uma hora de uso do celular pode acelerar a atividade cerebral na área mais próxima à antena do telefone. E, concluem: “O estudo é importante porque documenta que o cérebro humano é sensível à radiação eletromagnética que é emitida por telefones celulares,” disse o Dr. Volkow, pesquisador. (11)

Sabe-se que os celulares funcionam no espectro eletromagnético que emitem radiação de micro-ondas a partir de suas antenas, a maioria das quais estão agora incorporadas aos seus telefones. Embora em menor intensidade que as radiações emitidas por um forno, afirma-se que a preocupação não seja a da intensidade da energia, mas o sinal pulsante que impactaria o organismo humano.

Na investigação publicada no periódico Environmental Health Perspectives, foi analisado o efeito das ondas eletromagnéticas emitidas por celulares em ratos de laboratório. Quer saber a respeito da conclusão? “Altamente significativa” para a lesão neuronal no córtex, hipocampo, e gânglios basais nos cérebros de ratos expostos. (12)

Dicas de utilização (2, 13, 14)

  1. Evite contato direto do seu corpo com o telefone celular, computador e outros eletrônicos (a maioria dos fabricantes, inclusive, sugere manter sempre alguns centímetros entre você e seu aparelho). Procure carregar seus equipamentos em sua mala, bolsa ou qualquer outro lugar que mantenha uma distância mínima de você.
  2. Prefira sempre usar fones de ouvido ou modalidade viva-voz (mas não se esqueça de manter o telefone longe de sua barriga, caso seja mulher e esteja grávida).
  3. Se puder, prefira enviar mensagens de texto em vez de fazer ligações.
  4. Não durma com seu telefone sob o travesseiro ou perto de você na mesa de cabeceira.
  5. Se o seu filho for usar um telefone celular ou tablet, mude para o modo avião, pois é mais seguro.
  6. Quando possível, limite o tempo de uso de seu telefone celular (2 minutos no máximo). Prefira o telefone fixo para chamadas de longa duração.
  7. Se você não pode usar a função viva-voz, considere usar um fone de ouvido.
  8. Evite fazer chamadas em carros, elevadores, metros e ônibus. Qualquer material que contenha metal a sua volta como o carro ou elevador, por exemplo, fará com que as ondas aumentem a intensidade.
  9. Não use seu telefone celular quando o sinal for fraco ou quando você estiver viajando a velocidades mais altas em um carro ou trem. Isso automaticamente aumenta o poder máximo como tentativas automáticas do telefone celular para se conectar a uma nova antena de retransmissão.

 

Conclusão

Enfim, ainda que muitas pesquisas estejam em andamento e o debate ainda seja inconclusivo, penso ser importante, dentro do possível, diminuir sua exposição e de seus filhos à radiação. (13,14)

Vamos nos recordar que a indústria do tabaco levou nada menos do que 150 anos para ter estampado em seus maços os avisos dos riscos do consumo, portanto, vamos ficar atentos.

Nossa saúde e a de nossos filhos agradecerão.

 

Referências

1. http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs193/en/

2. http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1413-81232014000300991&script=sci_arttext

3. http://www.dailymail.co.uk/sciencetech/article-2783677/How-YOU-look-phone-The-average-user-picks-device-1-500-times-day.html

4. http://www.grupoa.com.br/livros/psiquiatria/manual-clinico-dos-transtornos-do-controle-dos-impulsos/9788536310893

5. http://www.iarc.fr/en/media-centre/pr/2010/pdfs/pr200_E.pdf

6. http://jama.jamanetwork.com/article.aspx?articleid=645813)

7. http://pediatrics.aappublications.org/content/116/2/e303.full

8. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2092574/

9. http://www.newscientist.com/article/dn6872-cellphones-should-not-be-given-to-children.html).

10. http://www.legifrance.gouv.fr/affichTexteArticle.do;jsessionid=1E9805FB777CC9228F41FE523855508D.tpdjo14v_1?idArticle=JORFARTI000022471504&cidTexte=JORFTEXT000022470434&dateTexte=29990101&categorieLien=id

11. http://well.blogs.nytimes.com/2011/02/22/cellphone-use-tied-to-changes-in-brain-activity/?_r=0

12. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/12782486

13. http://www.cancer.gov/cancertopics/factsheet/Risk/cellphones

14. http://ehtrust.org/q-a-cell-phones-and-wireless-radiation/


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