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Celular e gravidez: Quanto maior o uso, maiores são as chances de problemas

Dr. Cristiano Nabuco

09/08/2017 07h00

fotolia – Kwangmoo

Sabe o telefone celular?  Aquele aparelho que usamos dezenas ou até centenas de vezes ao dia. Aquele, com múltiplas funções. Pois é, todos nós, sem exceção, o conhecemos muito bem. Entretanto, o que pouca gente ainda sabe é que esses dispositivos emitem um campo eletromagnético que, embora considerado “seguro” pela Organização Mundial de Saúde, começa a mostrar implicações mais sérias a longo prazo.

Até o presente momento, ninguém tinha conhecimento de que uma exposição mais prolongada – a exemplo de como utilizamos o celular atualmente – pode ter consequências bastante sérias para saúde de nossos filhos.

Pesquisadores têm se perguntado a respeito das consequências dessas radiações em crianças que, devido ao processo de desenvolvimento neurológico ao longo da gravidez, poderiam ser, de alguma forma, afetadas. Estudos com ratos em gestação, por exemplo, demonstraram que os filhotes mais expostos, quando por ocasião de seu nascimento, exibiam alteração dos neurônios, hiperatividade e falta de atenção e/ou outros importantes prejuízos nas funções cognitivas (de raciocínio). Outros estudos, entretanto, ainda não confirmavam esses achados.

Entretanto, recentemente foi publicada uma pesquisa internacional de larga escala envolvendo quase 84 mil pares de pessoas (mães e seus respectivos filhos), junto a populações da Dinamarca, Coreia, Holanda, Noruega e, finalmente, a Espanha.

E os achados foram inquietantes.

Os pesquisadores da Dinamarca, por exemplo, realizaram duas análises independentes (a primeira com 12.796, e a segunda com 28.745 mães e seus respectivos filhos), demostrando que, quanto mais o telefone celular foi usado pelas mães no período de gestação e aos 7 anos de idade (dois períodos pontuais de avaliação), maiores foram os problemas emocionais e de comportamento apresentados pelos filhos aos 11 anos de idade.

A pesquisa é muito longa e muito detalhada para ser descrita na íntegra neste texto, além do fato de os próprios pesquisadores relatarem que a interpretação dos resultados ainda não é muito clara, devido a vários fatores (por exemplo, qual seria a posição do feto na barriga das mães avaliadas e qual interferência isso poderia ter na recepção dos campos magnéticos pelos bebês? Ou, ainda, em qual local essas mães carregavam seus aparelhos junto ao corpo? Isso teria alguma influência?).

Enfim, de uma maneira geral, o que pode ser dito, a partir das investigações e das análises estatísticas individuais dos participantes de todos os países, demonstra que aquelas mães que utilizaram com menos frequência o telefone celular durante a gravidez, foram as que apresentaram menores riscos de terem problemas comportamentais junto aos seus filhos.

fotolia Kwangmoo

Ou seja, o aumento do uso do celular durante a gestação pode estar associado a uma maior probabilidade de as crianças apresentarem hiperatividade e falta de atenção, ou seja, a presença desses problemas comportamentais e de hiperatividade foi correlacionada de maneira bastante expressiva junto àquelas mães que mais usaram o celular durante a gravidez e o período de formação de seus bebês.

Importante dizer: esse foi o maior e mais consistente estudo realizado até o presente momento.

O que fazer então? Bem, esta é uma excelente pergunta.

De acordo com a pesquisa descrita, fica óbvio então que as mães precisariam manter uma distância do celular durante a gestação de seus pequenos, pois quanto maior for o uso, maiores serão as chances de aparecimento de problemas posteriores. Assim sendo, prefira os telefones fixos e, um palpite pessoal, se me permite, procure ficar longe destes aparelhos enquanto mais pesquisa possa ser conduzida e, assim, nos dar um pouco mais de segurança.

Atualmente, os celulares viraram uma das coisas mais importantes na vida de milhares de pessoas – sem falar nas crianças – e ninguém se pergunta de maneira responsável, quais os efeitos disso sobre nossa saúde. Há um “glamour” em volta dos aplicativos de celulares, das redes sociais etc, e seria muito importante se pudéssemos ficar mais atentos.

Referência

FONTE: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/28392066

Sobre o autor

Cristiano Nabuco é psicólogo e atua em consultório particular há 32 anos. Tem Pós-Doutorado pelo Departamento de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Atualmente trabalha junto ao PRO-AMITI do Instituto de Psiquiatria do HC/FMUSP; Coordena o Núcleo de Terapias Virtuais (SP) e o Núcleo de Psicoterapia Cognitiva de São Paulo. Foi Presidente da Federação Brasileira de Terapias Cognitivas (FBTC). Publicou 13 livros sobre Psicologia, Psiquiatria e Saúde Mental.

Sobre o blog

Neste espaço, são discutidas ideias e pesquisas sobre comportamento humano, psicologia e, principalmente, temas que se relacionam ao cotidiano das pessoas. Assuntos centrais na construção de nossa autoestima, felicidade e vida. Seja bem-vindo(a)!

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