Dr. Cristiano Nabuco

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Celular e gravidez: Quanto maior o uso, maiores são as chances de problemas
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Dr. Cristiano Nabuco

fotolia – Kwangmoo

Sabe o telefone celular?  Aquele aparelho que usamos dezenas ou até centenas de vezes ao dia. Aquele, com múltiplas funções. Pois é, todos nós, sem exceção, o conhecemos muito bem. Entretanto, o que pouca gente ainda sabe é que esses dispositivos emitem um campo eletromagnético que, embora considerado “seguro” pela Organização Mundial de Saúde, começa a mostrar implicações mais sérias a longo prazo.

Até o presente momento, ninguém tinha conhecimento de que uma exposição mais prolongada – a exemplo de como utilizamos o celular atualmente – pode ter consequências bastante sérias para saúde de nossos filhos.

Pesquisadores têm se perguntado a respeito das consequências dessas radiações em crianças que, devido ao processo de desenvolvimento neurológico ao longo da gravidez, poderiam ser, de alguma forma, afetadas. Estudos com ratos em gestação, por exemplo, demonstraram que os filhotes mais expostos, quando por ocasião de seu nascimento, exibiam alteração dos neurônios, hiperatividade e falta de atenção e/ou outros importantes prejuízos nas funções cognitivas (de raciocínio). Outros estudos, entretanto, ainda não confirmavam esses achados.

Entretanto, recentemente foi publicada uma pesquisa internacional de larga escala envolvendo quase 84 mil pares de pessoas (mães e seus respectivos filhos), junto a populações da Dinamarca, Coreia, Holanda, Noruega e, finalmente, a Espanha.

E os achados foram inquietantes.

Os pesquisadores da Dinamarca, por exemplo, realizaram duas análises independentes (a primeira com 12.796, e a segunda com 28.745 mães e seus respectivos filhos), demostrando que, quanto mais o telefone celular foi usado pelas mães no período de gestação e aos 7 anos de idade (dois períodos pontuais de avaliação), maiores foram os problemas emocionais e de comportamento apresentados pelos filhos aos 11 anos de idade.

A pesquisa é muito longa e muito detalhada para ser descrita na íntegra neste texto, além do fato de os próprios pesquisadores relatarem que a interpretação dos resultados ainda não é muito clara, devido a vários fatores (por exemplo, qual seria a posição do feto na barriga das mães avaliadas e qual interferência isso poderia ter na recepção dos campos magnéticos pelos bebês? Ou, ainda, em qual local essas mães carregavam seus aparelhos junto ao corpo? Isso teria alguma influência?).

Enfim, de uma maneira geral, o que pode ser dito, a partir das investigações e das análises estatísticas individuais dos participantes de todos os países, demonstra que aquelas mães que utilizaram com menos frequência o telefone celular durante a gravidez, foram as que apresentaram menores riscos de terem problemas comportamentais junto aos seus filhos.

fotolia Kwangmoo

Ou seja, o aumento do uso do celular durante a gestação pode estar associado a uma maior probabilidade de as crianças apresentarem hiperatividade e falta de atenção, ou seja, a presença desses problemas comportamentais e de hiperatividade foi correlacionada de maneira bastante expressiva junto àquelas mães que mais usaram o celular durante a gravidez e o período de formação de seus bebês.

Importante dizer: esse foi o maior e mais consistente estudo realizado até o presente momento.

O que fazer então? Bem, esta é uma excelente pergunta.

De acordo com a pesquisa descrita, fica óbvio então que as mães precisariam manter uma distância do celular durante a gestação de seus pequenos, pois quanto maior for o uso, maiores serão as chances de aparecimento de problemas posteriores. Assim sendo, prefira os telefones fixos e, um palpite pessoal, se me permite, procure ficar longe destes aparelhos enquanto mais pesquisa possa ser conduzida e, assim, nos dar um pouco mais de segurança.

Atualmente, os celulares viraram uma das coisas mais importantes na vida de milhares de pessoas – sem falar nas crianças – e ninguém se pergunta de maneira responsável, quais os efeitos disso sobre nossa saúde. Há um “glamour” em volta dos aplicativos de celulares, das redes sociais etc, e seria muito importante se pudéssemos ficar mais atentos.

Referência

FONTE: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/28392066


Quando uma “selfie” não termina bem
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Dr. Cristiano Nabuco

 Kletr - fotolia

Kletr – fotolia

Na semana passada, um turista japonês de 66 anos e um de seus colegas de viagem rolaram escadaria abaixo no monumento indiano Taj Mahal. Um deles veio a falecer, enquanto o outro sofreu ferimentos na perna.

Até aqui, nada de muito incomum, correto? Uma notícia de um acidente cotidiano.

Entretanto, algo não vai parecer muito sensato, se soubermos que o final trágico ocorreu por que eles tentavam, na verdade, achar um melhor ângulo para tirar uma “selfie”. (1)

Em Moscou, citando apenas outro exemplo, uma mulher de 21 anos ficou entre a vida e a morte ao disparar uma arma de maneira acidental, enquanto se preparava para uma “selfie” mais “ousada”.

No mesmo país, registrou-se também o caso de um grupo de jovens que foi eletrocutado ao encostar em fios de alta tensão quando se alinhavam para tirar uma “selfie” sobre os trens. (2)

Achou pouco? Calma, tem mais.

Na Espanha, um homem de 32 anos estava participando do festival anual de corrida de touros na cidade de Villaseca de la Sagra e, na tentativa de tirar uma “selfie” junto a um dos animais, foi chifrado mortalmente. (3)

Nos Estados Unidos, o Parque Colorado está enfrentando problemas de segurança dos visitantes, pois, na tentativa de registrar uma boa “selfie”, a distância mínima de segurança dos ursos não está sendo observada. Para evitar problemas, o parque decidiu fechar as portas. (4)

wollertz - fotolia

wollertz – fotolia

No parque nacional de Yellowstone uma mulher se aproximou tanto de um bisão, na tentativa de uma “ótima” selfie, que acabou sendo atacada. A coisa está tão séria que o Serviço Florestal dos EUA está emitindo “avisos”. (5,6)

Outro registro: uma romena, fã de selfies, morreu após ser eletrocutada ao tentar fazer um autorretrato no alto de uma estação de trem na cidade de Iasi, nordeste da Romênia. (7)

Veja que os exemplos não param.

Para se pensar

Os autorretratos digitais, uma nova forma de expressão social, além de marcar um momento ou registrar um acontecimento, sabe-se que são uma das forças motrizes mais significativas por trás do comportamento atual de autopromoção.

O fenômeno cultural da “selfie” expõe assim um desejo humano de se sentir notado, apreciado e, principalmente, reconhecido.

Em uma época em que as imagens podem ser compartilhadas de maneira quase que infinita, a imagem que hoje é postada pode ser aperfeiçoada em uma riqueza ilimitada de detalhes, constituindo aquilo que se denomina de “exuberância do momento”.

© berc - fotolia

© berc – fotolia

Veja só: dados apresentados pela Samsung, por exemplo, demonstram que essa tendência é tão expressiva que 36% dos instantâneos tecnológicos não são publicados da forma que foram tirados, mas que, na verdade, são retocados pelos seus donos antes de seguirem para seu destino final (redes sociais, como Facebook, 48%, Whatsapp, 27% etc).

É como se cada um, atualmente – celebridade ou não, não importa -, pudesse assegurar momentos de glamour e de singularidade pessoal no palco da sua e na vida dos outros.

Em um artigo da Revista “Psychology Today”, Pamela Rutledge, diretora de Psicologia e Mídia do Centro de Investigação em Boston (Massachusetts), afirmou que: “as ‘selfies’ muito frequentemente têm o poder de desencadear a busca excessiva de atenção e de dependência social, indicativas da baixa autoestima e do narcisismo pessoal”. (8)

Conclusão

É possível que as “selfies” tenham se tornado uma manifestação social que evidencia a obsessão pela aparência, somado à exibição da vida privada na forma de reality-shows-pessoais, arquitetando, como resultado final, um senso autoinflado que permite às pessoas acreditarem que seus amigos ou seguidores estariam, de fato, interessados em vê-los vivendo seu cotidiano (o que comem, o que vestem, onde vão etc).

Esse comportamento poderia ser interpretado, na verdade, como se as pessoas estivessem de frente a um espelho, olhando-se o dia todo, e o pior: deixando que os outros os vejam fazer isso, sem qualquer senso de constrangimento, vergonha ou intimidação pessoal, o que é bem pior.

© Feng Yu - fotolia

© Feng Yu – fotolia

Quando capturar algo que na câmera tem a prioridade sobre o que acontece à nossa volta, isso pode ser indicativo de um problema real. Ficar conectados com as imagens, mas desconectados de nós mesmos, nos cria um verdadeiro dilema: como eu posso esperar que os outros prestem atenção a mim se nem eu mesmo consigo descrever o que está ocorrendo comigo?

Documentar a experiência não pode, jamais, ser mais importante do que vivê-la (ainda mais quando estamos colocando nossa integridade física em risco), certo?

Fique atento! Evite assim que sua “selfie” não termine bem.

 

Referências

(1) http://www.bbc.com/news/world-asia-india-34287655

(2) http://www.redetv.uol.com.br/jornalismo/da-para-acreditar/jovens-sao-eletrocutadas-ao-tentar-fazem-selfie-em-cima-de-trem-na-russia

(3) http://edition.cnn.com/2014/07/14/travel/spain-pamplona-selfie/

(4) http://mashable.com/2015/09/15/colorado-park-bear-selfies/#LnH3Pu.AmEqw

(5)    http://mashable.com/2015/07/22/bison-selfie-yellowstone/#J6yoDhCvMqqL

(6)    http://mashable.com/2014/10/27/bear-selfies/#mIzP3UgS28qW

(7)    http://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2015/05/romena-morre-eletrocutada-ao-tentar-selfie-no-topo-de-estacao-de-trem.html

(8)     https://www.psychologytoday.com/blog/positively-media/201307/selfie-use-abuse-or-balance


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