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5 efeitos (negativos) mais comuns das mídias digitais

Dr. Cristiano Nabuco

19/09/2017 07h00

Leigh Prather – fotolia

De acordo com uma nova pesquisa, ao utilizarmos as redes sociais e as mídias eletrônicas, algumas consequências são imediatamente produzidas em nosso cérebro:

Ficamos mais descontrolados com o dinheiro

Talvez só você ainda não saiba, mas os marqueteiros de plantão estão bem conscientes – e faz tempo – de que as pessoas que mais usam as redes sociais são aquelas mais propensas a gastar dinheiro na web, ou seja, as redes sociais produzem, em algum momento, níveis de descontrole.

Sim, pois diferente da vida real, onde temos que ir a uma loja, manusear os produtos, pegar fila para pagar e todas aquelas etapas bem conhecidas por todos, na internet, ao contrário, basta dar, no máximo, uns 3 cliques e sua compra pode estar a caminho de sua casa.

Portanto, há um aspecto terrível a ser notado, que nossa impulsividade corre muito mais solta, o que é, obviamente, um grande perigo à nossa saúde econômica. Como oscilamos emocionalmente ao longo do dia, os momentos de baixa fazem que compremos mais como forma de aumentar a autoestima e nos dar uma “animada”. (1)

Minha dica: evite navegar na web em momentos de alteração de seu humor (quando está se sentindo triste, deprimido ou ainda, é claro, estando meio “alto” por conta de algumas bebidinhas).

Enfraquecemos nossa capacidade de reter informações

Sim, basta que você tenha um telefone celular nas proximidades para que seu nível de atenção cerebral caia de maneira significativa. Como temos uma capacidade cerebral (que é limitada) para reagir ao meio ambiente e seus estímulos, basta que tenhamos um telefone ao lado para que nossa produção intelectual (de qualquer tarefa), despenque de maneira expressiva.

Como sabemos, temos à nossa disposição uma certa capacidade de atenção cerebral e os telefones roubam parte dessa energia.

Ah, ia esquecendo, e isso vai ocorrer “mesmo que” o seu telefone não esteja sendo usado. Nem adianta deixar na bolsa ou virado com a tela para baixo durante a reunião, pois para seu cérebro, seu aparelho “está ali”. (2)

Minha dica: quando for realizar algo que envolva, de fato, um raciocínio mais profundo, não o deixe no mesmo ambiente. Fica o aviso!

Diminuímos nossa autoestima

Cientistas estudaram 600 pessoas que passaram o tempo na rede social e descobriram que um, em cada três, sentiu-se pior depois de visitar as redes sociais – especialmente se eles visualizavam fotos de férias.

kieferpix – fotolia

Os frequentadores do Facebook, por exemplo, que passaram algum tempo no site sem publicar seu conteúdo pessoal, também foram aqueles mais propensos a sentirem-se insatisfeitos com sua vida pessoal, na comparação com aquelas vistas nas redes sociais. (3)

Assim sendo, parece que os efeitos positivos de nos sentirmos socialmente “conectados” com os outros podem, de uma hora para outra, evocar igualmente sentimentos de inferioridade ou falta de capacitação, gerando muito dissabor.

Portanto, vai minha dica: procure se tornar consciente de que um relacionamento nas redes sociais pode, muito potencialmente, lhe reduzir a autoestima e afetar a avaliação que faz de sua vida pessoal ou profissional. Portanto, caso não esteja lá muito bem, evite dar uma olhada nas redes sociais. Em vez de se manter conectado com os amigos, esse estímulo pode, na verdade, se tornar apenas uma outra fonte de estresse em sua vida.

Primeiro cuide de você para depois olhar para a vida dos outros, escute meu conselho.

Comprometemos a capacidade de pensar de maneira independente

Sabemos que à nossa volta existe uma pressão social muito poderosa que nos força a agir de uma maneira que acompanhe a preferência dos demais (também chamado de “efeito manada”, você já deve ter ouvido falar). Assim sendo, tendemos, de maneira inconsciente, a observar as reações e os comportamentos dos demais para que possamos criar uma forma de “cola social” e, dessa forma, nos sentirmos mais aceitos.

Ocorre que, nas redes sociais, essa pressão aumenta de uma maneira exponencial, pois nossas ideias não estão expostas aos pequenos grupos, como sempre ocorreu na vida, mas agora são divididas com algumas centenas ou milhares de pessoas, o que nos coloca sob uma pressão de aceitação ainda maior.

Para avaliar isso, cientistas pediram a 600 participantes que respondessem algumas perguntas sobre fotos on-line que lhes estavam sendo apresentadas publicamente e o resultado mostrou que parte expressiva das opiniões “individuais” estavam, na verdade, diretamente influenciadas pela opinião dos demais. (4)

Portanto, quando você estiver tentando formar uma opinião a respeito de algo, pense antes de expor nas redes. Essa pode ser uma atitude poderosa para manter sua individualidade e, mais que isso, deixar sua criatividade preservada.

Quanto menos contaminados estivermos pelas tendências do meio ambiente – que nem sempre são lá muito salutares – mais originais seremos. Pense nisso.

Deixamos nossas comunicações mais perigosas

E aqui vai um dos últimos efeitos bem arriscados.

bsd555 – fotolia

Quando nos comunicamos com alguém, além de ouvir as mensagens que nos chegam através das palavras e dos sentidos dados pelos outros, nosso cérebro lê, de maneira silenciosa, os gestos e a entonação vocal – também chamado de comunicação não-verbal -, complementando o sentido final.

Dessa forma, algo que pode ser dito de maneira mais leve, digamos, pode ganhar um sentido mais irônico, por exemplo, dependendo de como falamos.

Nas redes sociais, por outro lado, nossa comunicação é privada desses sinais que seriam vitais para dar um sentido final àquilo que está sendo dito e, portanto, como não “vemos” o que de fato acontece por parte do outro, “imaginamos” um sentido às palavras e ações.

Assim, essa é a razão pela qual tantos problemas de comunicação ocorrem nas redes sociais. E vai minha pergunta: quem já não bateu boca com alguém pelas vias digitais e depois se arrependeu amargamente?

Pois bem, minha orientação: não discuta nenhum assunto mais profundo através dos aplicativos de comunicação (nem pense em fazer uma D.R. pelo whats, nunca). Tenho certeza que uma boa conversa cara-a-cara resulta em um final bem mais feliz e elegante do que aquelas que ocorrem de maneira desordenada através da digitação impensada e descontrolada. (5)

 

Referências

  1. https://www.today.com/money/facebook-makes-you-spend-more-research-suggests-1C6969482
  2. https://cristianonabuco.blogosfera.uol.com.br/2017/07/25/o-efeito-do-celular-sobre-seu-cerebro-mesmo-estando-desligado/
  3. http://healthland.time.com/2013/01/24/why-facebook-makes-you-feel-bad-about-yourself/
  4. http://mashable.com/2011/09/16/social-media-peer-pressure/#mDkMMfjwtGqd
  5. https://thelede.blogs.nytimes.com/2009/02/24/is-social-networking-killing-you/

 

 

Sobre o autor

Cristiano Nabuco é psicólogo e atua em consultório particular há 32 anos. Tem Pós-Doutorado pelo Departamento de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Atualmente trabalha junto ao PRO-AMITI do Instituto de Psiquiatria do HC/FMUSP; Coordena o Núcleo de Terapias Virtuais (SP) e o Núcleo de Psicoterapia Cognitiva de São Paulo. Foi Presidente da Federação Brasileira de Terapias Cognitivas (FBTC). Publicou 13 livros sobre Psicologia, Psiquiatria e Saúde Mental.

Sobre o blog

Neste espaço, são discutidas ideias e pesquisas sobre comportamento humano, psicologia e, principalmente, temas que se relacionam ao cotidiano das pessoas. Assuntos centrais na construção de nossa autoestima, felicidade e vida. Seja bem-vindo(a)!

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