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Blog do Dr. Cristiano Nabuco

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Quais são os 7 ingredientes de um casamento estável?

Dr. Cristiano Nabuco

08/05/2018 04h00

Photo by Shelby Deeter on Unsplash

De fato, esta é uma temática em constante mudança e, todos nós sabemos bem, o casamento sofreu alterações profundas à medida que o tempo passou. Ao longo da história, o matrimônio carregava funções bem mais diversificadas, se comparado ao tipo de união que vemos nos dias de hoje.

Na Idade Média, por exemplo, ele era de importância fundamental no que dizia respeito aos aspectos econômicos e, principalmente, políticos, porém, não tinha qualquer relação com o amor, propriamente dito. E a separação não ocorreria de maneira alguma, a não ser que fosse descoberto algum grau de parentesco entre os cônjuges. (1)

Atualmente, entretanto, há um cenário bem mais diversificado daquele que já existiu. O amor hoje é uma peça central da união e deve, obrigatoriamente, existir, muito embora não sirva lá de garantia quando o assunto é longevidade de uma relação. E as separações, claro, ocorrem muito mais frequentemente.

Em uma pesquisa realizada pela Clark University, nos EUA, descobriu-se que 86% dos mais de 1000 entrevistados (com idade variando de 18 a 29 anos) esperavam que o casamento durasse uma vida inteira. (2)

Bem, nem precisava de uma pesquisa para apontar isso, certo?

No entanto, as estatísticas sugerem que muitos desses jovens, na verdade, estão otimistas demais, pelo menos no que diz respeito às fases iniciais da relação. De acordo com os dados nacionais do Centro Nacional de Estatística da Saúde (NCHS) do mesmo país, a probabilidade de um casal celebrar seu 20º aniversário de casamento é de 52% para mulheres e 56% para homens. (3)

Embora a taxa americana de divórcio tenha diminuído de forma lenta e constante desde o início dos anos 1980, a taxa de casamentos também decresceu, inclusive, com mais pessoas optando por se casar em um momento posterior da vida. Como resultado, os especialistas americanos estimam que entre 40% e 50% dos casamentos de hoje terminarão em divórcio. (4)

No Brasil, dados do IBGE, coletados entre 1984 e 2016, apontam que um a cada três casamentos termina em divórcio. Assim, foi registrado um aumento de 17% em relação ao matrimônio; entretanto, em relação aos divórcios, o número aumentou 269%. Em 1984, as separações representavam cerca de 10% do universo de casamentos, com 93,3 mil divórcios. Essa correlação saltou para 31,4% em 2016 – com 1,1 milhão de matrimônios e 344 mil separações.

Por décadas, especialistas têm tentado responder à pergunta: "O que faz com que um casamento seja duradouro"?

Nem de longe vou esgotar o assunto em alguns poucos parágrafos, mas, muitas pesquisas (6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13) apontam para alguns fatores que se mostram cruciais:

1º –  Tente permanecer emocionalmente separado da família em que você cresceu (não ao ponto de estranhamento, mas o suficiente para que sua identidade e a de seus pais e irmãos esteja preservada);

2º – Construa uma relação de união, levando em consideração sua intimidade e identidade ao mesmo tempo em que consegue compartilhá-las com seu cônjuge. É fundamental que existam os limites para proteger a autonomia de cada um;

3º – Procure estabelecer um relacionamento onde exista cumplicidade emocional, pois isso é fundamental. Não se espera que o outro pense exatamente como nós, mas que, pelo menos, consiga compreender um ponto de vista distinto, sem invalidá-lo. O casamento deve ser um refúgio seguro, no qual os parceiros podem expressar suas diferenças, seus sentimentos e suas expectativas, sem medo;

4º – Aprenda a separar sua vida profissional da vida familiar, assim como, a proteger a privacidade de sua vida íntima junto ao trabalho;

5º – Administrar as inevitáveis ​​crises da vida matrimonial é parte integrante de um relacionamento longevo. Manter a força do vínculo conjugal em face à adversidade cria uma espécie de robustez emocional ao casal. Aprenda a pedir ajuda quando não se sente bem, assim como "dê colo" quando perceber a instabilidade ou a necessidade do outro. Portanto, procure satisfazer as necessidades de dependência de cada parceiro e ofereça, dentro das possibilidades, incentivo e apoio contínuos.

6º – Sempre que possível, traga o humor e a leveza para dentro da relação. E, finalmente:

7º – Mantenha vivas as primeiras lembranças românticas de sua vida a dois. Essa fase inicial cheia de esperanças pode se tornar um marco ou emblema da união e ajuda a nos proteger das mudanças mais intensas provocadas pelo tempo.

Ninguém espera que consigamos, muitas vezes, lidar sozinhos com as adversidades que envolvem uma relação. Assim sendo, se está com dificuldade, peça ajuda profissional. (14, 15)

Referências

(1) http://fazendoahistoriaporaqui.blogspot.com.br/2012/07/o-casamento-na-idade-medieval.html

(2) http://www2.clarku.edu/clark-poll-emerging-adults/

(3) http://www.apa.org/monitor/2013/04/changing-face.aspx

(4) http://www.apa.org/research/action/marital.aspx

(5) https://www.em.com.br/app/noticia/nacional/2017/12/31/interna_nacional,927931/um-a-cada-tres-casamentos-termina-em-divorcio-no-pais.shtml

(6) Baucom, D., & Epstein, N. (1990). Cognitive Behavioral Marital Therapy.New York: Brunner/Mazel.

(7) Gottman, J. (2000). Seven Principles for Making Marriage Work.Random House Inc.

(8) Jacobson, N.S., & Christensen, A. (1998). Acceptance and change in couple therapy : A therapist's guide to transforming relationships.New York: W. W. Norton & Company.

(9) Markman, H.J., Stanley, S.M., Blumberg, S.L., Jenkins, N. H., & Whitely, C. (2004). 12 Hours to a Great Marriage.New York: Wiley and Sons.

(10) http://www.scielo.br/pdf/paideia/v22n52/15.pdf

(11) Notarius, C., & Markman, H.J. (1993). We can work it out: Making sense of marital conflict.New York: Putnam.

(12) Hanns, L. (2013). A equação do casamento: O que pode (ou não) ser mudado na sua relação. São Paulo: Editora Paralela.

(13) http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-81082010000200008

(14) http://aptf.org.br/

(15) http://abratef.org.br/2018/

 

 

Sobre o autor

Cristiano Nabuco é psicólogo e atua em consultório particular há 32 anos. Tem Pós-Doutorado pelo Departamento de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Atualmente trabalha junto ao PRO-AMITI do Instituto de Psiquiatria do HC/FMUSP; Coordena o Núcleo de Terapias Virtuais (SP) e o Núcleo de Psicoterapia Cognitiva de São Paulo. Foi Presidente da Federação Brasileira de Terapias Cognitivas (FBTC). Publicou 13 livros sobre Psicologia, Psiquiatria e Saúde Mental.

Sobre o blog

Neste espaço, são discutidas ideias e pesquisas sobre comportamento humano, psicologia e, principalmente, temas que se relacionam ao cotidiano das pessoas. Assuntos centrais na construção de nossa autoestima, felicidade e vida. Seja bem-vindo(a)!