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Dificuldades para dormir na primeira noite fora de casa? A ciência explica.

Dr. Cristiano Nabuco

23/04/2016 08h00

Fotolia - Photographee.eu

Dormir fora de casa ou em ambientes estranhos para muitas pessoas, efetivamente, pode se tornar um problema, ainda mais na primeira noite.

Sem dúvida, essa é uma dificuldade que os viajantes normalmente enfrentam e que pesquisadores parecem ter chegado a uma conclusão interessante.

Denominado de “efeito da primeira noite”, um estudo conduzido pela Brown University descobriu que uma das possíveis causas desse problema pode ser decorrente de nossa biologia pessoal.

O que ocorre?

Quando deveríamos estar dormindo profundamente, o hemisfério esquerdo de nosso cérebro,  constatando que estamos em ambiente incomum, permanece mais ativo, deixando-nos com um sono “superficial”. Segundo os pesquisadores, é como se nossos instintos mais ancestrais nos deixassem em estado de vigilância e de prontidão contra algo ruim que poderia vir a acontecer, consumindo, portanto, mais tempo para nos colocar em adormecimento, ou até resultando em um sono de pior qualidade (por isso acordamos mais cansados).

Essa assimetria cerebral durante o sono, segundo revelam os pesquisadores, também é encontrada em mamíferos como focas, golfinhos e baleias.

Para verificar se isso ocorria igualmente com os humanos, os pesquisadores recrutaram 35 voluntários que passaram duas noites em laboratório e os submeteram a alguns testes noturnos.

Um dos experimentos consistia em expor sons agudos durante toda a noite em ambos os ouvidos dos participantes e, ocasionalmente, foram introduzidos sons diferentes do normal. Eles descobriram que a resposta do cérebro aos sons inesperados foi maior no ouvido direito (que levava ao hemisfério esquerdo), do que no lado oposto. Desta forma, o hemisfério esquerdo experimentou despertares mais frequentes do que o direito, além de alterações mais frequentes nos sinais vitais dos sujeitos.

A equipe fez um experimento final no qual um novo grupo de voluntários ouviu sons enquanto dormiam, só que desta vez, eles foram instruídos a levantar seus dedos levemente, caso fossem despertados pelo som. Os voluntários acordavam mais rapidamente depois de ouvir sons em sua orelha direita (que ativa principalmente no hemisfério esquerdo do cérebro) do que em sua orelha esquerda (que ativa o hemisfério direito).

Conclusão

Tomados em conjunto, os resultados sugerem que o hemisfério esquerdo fica mais ativo na primeira noite de sono em ambientes desconhecidos, decorrente então do que se conjecturou ser um possível mecanismo de proteção que mantém o cérebro alerta de possíveis perigos.

Vamos lembrar que todos esses achados foram observados apenas na primeira noite de sono e não mais nas noites subsequentes.

Para minimizar esses efeitos, os pesquisadores sugerem então que as pessoas levem seu próprio travesseiro nas viagens como forma de diminuir as impressões de estranheza do ambiente, ou ainda, que se procure dormir sobre o ouvido direito, como forma de impedir que o hemisfério esquerdo se torne um guarda-noturno ao nos fazer dormir menos e mal.

Não custa nada tentar…

 

Referência

http://www.cell.com/current-biology/pdfExtended/S0960-9822(16)30174-9

Sobre o autor

Cristiano Nabuco é psicólogo e atua em consultório particular há 32 anos. Tem Pós-Doutorado pelo Departamento de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Atualmente trabalha junto ao PRO-AMITI do Instituto de Psiquiatria do HC/FMUSP; Coordena o Núcleo de Terapias Virtuais (SP) e o Núcleo de Psicoterapia Cognitiva de São Paulo. Foi Presidente da Federação Brasileira de Terapias Cognitivas (FBTC). Publicou 13 livros sobre Psicologia, Psiquiatria e Saúde Mental.

Sobre o blog

Neste espaço, são discutidas ideias e pesquisas sobre comportamento humano, psicologia e, principalmente, temas que se relacionam ao cotidiano das pessoas. Assuntos centrais na construção de nossa autoestima, felicidade e vida. Seja bem-vindo(a)!

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