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3 sinais de que uma pessoa está insegura

Dr. Cristiano Nabuco

17/02/2016 08h00

fotolia - Sensay

fotolia – Sensay

Obviamente que é quase impossível para qualquer um descobrir o estado emocional que é vivido por alguém em um determinado momento, apenas colhendo pistas instantâneas que são observadas em rápidas conversas, entretanto, para uma pessoa mais atenta, alguns sinais sempre fogem ao controle, deixando evidente o rastro de insegurança e vulnerabilidade psicológica que é sentido por alguém.

Assim, a seguir, descrevo alguns dos indícios mais comuns presentes nas interações e que podem ser indicativos de um sentimento transitório de inferioridade:

a) Autovalorização excessiva

Esse, talvez, um dos mais clássicos, é frequentemente encontrado nas pessoas que estão se sentindo desprestigiadas.

Como o cérebro humano em nossa evolução antepassada foi preparado para obter o destaque perante o bando, pois dessa forma se teria mais chance de liderar o grupo, prioridade na alimentação ou ainda na escolha do(a) parceiro(a), tornar-se um líder era de fundamental importância – ou também conhecido como “macho” ou “fêmea” alfa -, assim sendo, “ser bom” passou a ser  uma necessidade vital para a sobrevivência.

Dessa forma, ainda que o tempo tenha passado e não precisemos mais brigar por um pedaço de comida, muitas pessoas, quando estão se sentindo diminuídas, têm o seu cérebro inconscientemente acionado para, de alguma forma, fazer-nos voltar ao destaque e, assim, da maneira mais simples possível, um velho mecanismo entra em ação: imediatamente damos um jeito de encaixar nas conversas assuntos como: o destino da última viagem, a comida “maravilhosa” de um determinando restaurante, o objeto “exclusivo” comprado em uma das melhores lojas de grife ou, ainda, o importante cargo, ressaltando sua “importância”.

Portanto, ficar em evidência, compensa a sensação de inferioridade, resolvendo momentaneamente o problema.

fotolia - adam121

fotolia – adam121

O que essas pessoas, na verdade, não percebem é que ativar esse senso de grandiosidade de forma desproporcional e excessiva, apenas reforça um sentimento de esquiva e de rejeição pelos demais, uma vez que a soberba pessoal não é usualmente muito bem digerida pelo grupo, fazendo então com que esse indivíduo passe a ser, efetivamente, desconsiderado.

Portanto, fique atento para não criar um estigma sobre sua pessoa.

b) Incapacidade de dizer “não”

Esse é outro importante indicador de que temos um expressivo receio de magoar ou de decepcionar alguém. Assim sendo, nessa condição sentimo-nos incapazes de colocar de forma  sensata e objetiva nossas percepções e opiniões pessoais, deixando transparecer uma excessiva simpatia pelos demais, ao deixar passar uma impressão de que “faríamos qualquer coisa” pelo outro. O que, diga-se de passagem, nem sempre é verdadeiro.

Esse tipo de comportamento vem, muitas vezes, acompanhado de notada efusividade (simpatia) interpessoal, dando margem a que o outro sinta que você o “compreendeu” ou ainda é uma pessoa “muito legal” e que essa “amizade” mereceria ser cultivada, pois, afinal de contas, aparenta ser alguém demasiadamente receptivo.

Claro, tudo tem um segundo sentido que é o de aparentar sua capacidade de “conexão”, o que, diga-se de passagem, pode aumentar de maneira irreal as expectativas projetadas sobre nós e dando margens a problemas maiores como as futuras decepções.

Ocorre que muitas pessoas, na verdade, nem percebem que estão fazendo isso.

Lembre-se apenas de uma coisa: ninguém consegue ser “legal” o tempo todo. Assim, tente ser apenas e tão somente você.

c) “Congelamento” ou a incapacidade de interagir

Esse é um outro recurso que o cérebro humano lança mão para combater o senso de diminuição pessoal e semelhante a algumas categorias de comportamento animal que, quando estão se sentindo ameaçados, “paralisam” para mostrar ao inimigo ou que são inofensivas ou para serem confundidas com o entorno, diminuindo assim a chance de ataque.

Nessas situações, essas pessoas se sentem tão vulneráveis frente aos demais que literalmente “travam” e não conseguem sequer participar de uma simples interação, por mais fugaz que ela seja. E, na medida que isso ocorre, o desconforto pessoal é percebido por elas mesmas que tentam desesperadamente “agir” – na tentativa de recuperar seu lugar social.

fotolia - vadymvdrobot

fotolia – vadymvdrobot

Todavia, o cérebro, percebendo a situação de profundo incômodo, ao tentar reverter a situação, dá comando para que elas “falem”, que se comuniquem de qualquer jeito, qualquer coisa serve, mas obviamente isso apenas aumenta a escalada de ansiedade, fazendo com que elas se sintam ainda mais travadas e congeladas, dando então mais força ao sentimento de exclusão pessoal.

Conclusão

Veja que nem sempre estamos em dias em que nossas habilidades sociais estão em alta, ou seja, como tudo na vida, sempre há momentos em que estamos mais abertos, enquanto outros, mais reservados e introvertidos.

E, veja, falar demasiadamente de nossas conquistas, ser muito simpático às vezes ou até ficar mais calado em algumas fases da vida, na verdade, é algo absolutamente normal e não deve ser fonte de preocupação. Todavia, a dica vai para quando esses mecanismos tendem a se repetir frequentemente com a passagem do tempo, engessando-nos emocionalmente ao fazer- nos agir sempre da mesma maneira e criando, portanto, problemas maiores de sociabilidade e de relacionamento.

Aqui, portanto, estariam algumas das bases futuras dos quadros de transtorno narcisista, da fobia social, dentre outros.

Assim, fique atento quando esses mecanismos deixam de ser um problema e se tornam um “padrão” constante de interação e que, portanto, deveriam ser objeto de cuidado e de mudança pessoal.

A boa notícia? Está aí a psicoterapia moderna para lhe ajudar a transformar esses padrões. Felizmente, há saída (tratamento) para quase tudo. Só permanece inseguro e mal resolvido quem quer.

Sobre o autor

Cristiano Nabuco é psicólogo e atua em consultório particular há 32 anos. Tem Pós-Doutorado pelo Departamento de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Atualmente trabalha junto ao PRO-AMITI do Instituto de Psiquiatria do HC/FMUSP; Coordena o Núcleo de Terapias Virtuais (SP) e o Núcleo de Psicoterapia Cognitiva de São Paulo. Foi Presidente da Federação Brasileira de Terapias Cognitivas (FBTC). Publicou 13 livros sobre Psicologia, Psiquiatria e Saúde Mental.

Sobre o blog

Neste espaço, são discutidas ideias e pesquisas sobre comportamento humano, psicologia e, principalmente, temas que se relacionam ao cotidiano das pessoas. Assuntos centrais na construção de nossa autoestima, felicidade e vida. Seja bem-vindo(a)!

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