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Duas armadilhas mentais que lhe impedem o bem-estar

Dr. Cristiano Nabuco

25/03/2015 08h00

© freshidea - fotolia

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É fato que nossa mente é povoada por uma série de questões que nos acompanham por toda uma vida. Sem que percebemos, somos ocupados por princípios e valores que, embora sejam decorrentes de nossa educação e nossa mente (mais primitiva), não expressam, em certos momentos, aquilo que realmente desejamos vir a ser na vida adulta.

Muito embora exista um sem-número de teorias psicológicas que procuram dar uma boa resposta a essas inquietudes, em última instância somos os maiores responsáveis por esses flagelos psicológicos que nos atormentam.

Na sequência, descrevo duas das questões mais frequentemente observadas nas queixas de consultório de psicoterapia e que, talvez, lhe possam ser úteis no escape destas armadilhas mentais.

1) A comparação

Essa, possivelmente, ocupa o primeiro lugar no ranking dos suplícios psicológicos. Ocorre que, sem que percebamos, sempre e continuamente estamos nos comparando a alguém (obviamente melhor, é claro), o que nos faz viver um contínuo estado de insatisfação. Pessoas que possuam mais sucesso, maiores recursos econômicos ou ainda atributos físicos superiores, sempre são nossos modelos. É como se esse “manequim existencial” pudesse nos ser um parâmetro verdadeiro e legítimo daquilo que precisaríamos atingir em algum momento, mas que na realidade, dificilmente conseguimos.

Nessa hora, cometemos um dos maiores equívocos lógicos: simplesmente não consideramos que, por trás de cada história de sucesso, muito possivelmente haverá uma infinidade de coisas que contribuíram para que aquelas pessoas pudessem ter chegado lá.

No que diz respeito à beleza física, por exemplo, é provável que a genética lhes tenha dado uma mãozinha e que, mesmo após anos de academia, dificilmente chegaremos aonde tais pessoas chegaram e ainda com a metade de nossos esforços.

Maior sucesso profissional? Desconhecemos a quantidade de indicações e de ajuda que muitas dessas pessoas tiveram.

Veja que nem de longe estou diminuindo o mérito de cada história de realização, ao contrário, ocorre que nessa hora nos esquecemos de que cada um construiu sua própria sucessão de acontecimentos e que os fez, possivelmente, chegar tão longe e que, portanto, as comparações apenas servem para, momentaneamente, nos diminuir e nos paralisar.

Assim sendo, evite olhar para o lado e se comparar à vida dos outros. Foque exclusivamente naquilo que você acha importante desenvolver EM SUA VIDA e siga adiante. Aquilo que a vida lhe oferece é único e, portanto, incomparável aos demais. Mesmo que sua existência seja marcada por menores oportunidades, dinheiro ou beleza física, construa você mesmo(a) sua própria jornada de sucesso.

2) A autocrítica

Essa é outra armadilha também bastante frequente.

É praticamente universal carregarmos uma “voz” que, sendo quase imperceptível a nossos pensamentos, se faz presente em situações bem delicadas da vida. Decorrente das comparações que fazemos com os outros e que, naturalmente, nos geram mal-estar, é muito comum que uma “voz crítica” sempre surja em nossa mente nos momentos estrategicamente mais sensíveis de nosso viver.

© olly - fotolia

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Por exemplo: ao conhecermos uma pessoa nova, lá estará a voz dizendo que não somos bons o suficiente, que não somos inteligentes o bastante e, o pior, que não somos tão atraentes como precisaríamos efetivamente ser.

As desculpas que prontamente damos a nós mesmos ao ouvir essas vozes incluem: “pois é, meu cabelo não é tão bonito assim”, “meu corpo é que está acima do peso”, ou ainda “sou muito tímido(a) ou fechado(a) e dificilmente agradarei alguém”  etc.

Assim, basta que a voz crítica entre em cena para que, desesperadamente, tentemos justificar as prováveis causas de nossa limitação.

E não pense que isso é relativo apenas à nossa beleza corporal. Quem já não foi fazer uma entrevista de emprego ou realizar uma tarefa mais elaborada para que a voz crítica entrasse em cena e nos dissesse que “ainda não somos bons o suficiente”, “qualificados(as) o necessário” ou ainda “inteligentes o bastante” para enfrentar os desafios que nos apresentaram?

Nesse momento crucial, nosso maior erro é acreditar cegamente que, por traz de cada pensamento negativo existe, de fato, uma “verdade” a nosso respeito.

Nosso equívoco é então acharmos que por trás dessas vozes existam verdades e que, “realmente”, somos incapazes.

O resultado é que em situações nas quais deveríamos seguir adiante e enfrentar nossos medos, simplesmente recuamos e nos resignamos.

Ao fazermos isso, sem perceber, perpetuamos um senso de incapacidade que foi extraído das comparações inadvertidas e que no fundo nos faz acreditar que somos, efetivamente, limitados.

Bem, a velha pergunta: o que fazer então frente a isso tudo?…

Simples. Não acredite nos pensamentos que lhe falam a respeito de suas incapacidades.

Esses conteúdos são, em sua grande maioria, decorrentes de uma série de condicionamentos históricos (infância, escola, família etc) e que, em última instância, NÃO MAIS REFLETEM nossa realidade atual.

Ninguém é feio, burro ou desprovido de sucesso. Apenas e tão somente ainda “não tentamos” de verdade criar nossa própria história.

Conclusão

A questão é bem clara. Ou você acredita nas incapacidades que habitam sua cabeça ou procura se movimentar através delas.

Posso lhe assegurar que o resultado final de sua existência vai depender diretamente dessa escolha que tomamos.

E, conforme dizia um antigo ditado: “Não importa o que fizeram conosco. O que importa é o que fazemos com aquilo que fizeram de nós”.

Eu sei que você até pode me chamar de reducionista ou de simplista, mas, de fato, eu vou lhe dizer a verdade: eu não ligo. É assim mesmo que “eu” penso. Ninguém, em última instância, pensará como eu e, definitivamente, eu não vou me envergonhar por ser assim ou assado, compreende?…

Aprenda a caminhar pelo pântano das opiniões contrárias, que eu lhe assegurarei que você um dia terá, finalmente, o tão procurado sucesso e, o mais importante, terá garantido mais do que nunca seu mais autêntico e verdadeiro bem-estar.

Pense nisso.

Sobre o autor

Cristiano Nabuco é psicólogo e atua em consultório particular há 32 anos. Tem Pós-Doutorado pelo Departamento de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Atualmente trabalha junto ao PRO-AMITI do Instituto de Psiquiatria do HC/FMUSP; Coordena o Núcleo de Terapias Virtuais (SP) e o Núcleo de Psicoterapia Cognitiva de São Paulo. Foi Presidente da Federação Brasileira de Terapias Cognitivas (FBTC). Publicou 13 livros sobre Psicologia, Psiquiatria e Saúde Mental.

Sobre o blog

Neste espaço, são discutidas ideias e pesquisas sobre comportamento humano, psicologia e, principalmente, temas que se relacionam ao cotidiano das pessoas. Assuntos centrais na construção de nossa autoestima, felicidade e vida. Seja bem-vindo(a)!

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