Dr. Cristiano Nabuco

A tecnologia e nossos filhos: uma relação bem delicada

Dr. Cristiano Nabuco

© Coka - fotolia

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É quase impossível achar alguém que não tenha se curvado às benesses que a tecnologia pode nos oferecer, principalmente quando o assunto é computador e smartphones.

Entretanto, todo o glamour que acompanha o lançamento dos novos equipamentos – a exemplo de como aconteceu na semana passada-, por instantes nos faz esquecer dos riscos que o uso constante desses aparelhos pode trazer a nossa vida.

Veja só: em uma pesquisa realizada recentemente pela AVG, fabricante mundial de softwares de segurança, junto a quase quatro mil adolescentes de 10 países, incluindo o Brasil, apontou que um em cada três jovens se arrependeram de postagens feitas nas redes sociais por terem “ultrapassado os limites”, isto é, por divulgar assuntos considerados impróprios ou muito pessoais a terceiros.

Ou seja, ao que tudo indica, a utilização da tecnologia ocorre sem que se faça muito questionamento a respeito de suas consequências.

Um dos fatores que pode contribuir com os descuidos da vida virtual se deve ao fato de os adolescentes sentirem-se dotados de uma habilidade quase que inata no manejo da tecnologia e, assim, passam a desvalorizar os riscos.

“As pessoas querem tirar o máximo das redes sociais ao compartilhar conteúdos, mas devem estar cientes de que nem tudo é o que parece ser e que ameaças podem surgir”. E, finaliza, “se não agirmos agora para aconselharmos e educarmos essa juventude, podemos estar diante de uma bomba-relógio”, explica um executivo da empresa.

Minha ideia vai de encontro aos preceitos que sugerem que os pais, além dos adolescentes, são igualmente responsabilizados pelo mau uso da internet e que, obrigatoriamente, precisariam acompanhar o que acontece com a vida digital dos pequenos.

Por acaso, não é assim que acontece (ou que, em tese, deveria acontecer) quando um filho sai para viajar ou se encontra com algum estranho?… Perguntas como: quem é a pessoa, quando e como você vai e volta, por exemplo, são usuais nessas circunstâncias. Assim, o cuidado, a rigor, que os pais exibem na vida virtual deveria ser o mesmo da vida real, todavia, não é o que se observa acontecer.

Os filhos ficam à deriva em suas navegações, decidindo por conta própria o que fazer e para onde ir, como se a internet pudesse ser mais segura.

E o risco, ocorreria potencialmente apenas junto aos adolescentes?… Parece que não.

Antes dos sete anos

Outra pesquisa feita pela mesma corporação apontou que os gadgets têm estado no topo da lista de pedidos de Natal, enquanto que 33% dos entrevistados afirmaram que querem comprar um dispositivo móvel para seus filhos.

A investigação, que entrevistou mais de 1.000 famílias nos EUA, Canadá e Reino Unido, também descobriu que 73% da amostra considerou poder presentear seus filhos com um dispositivo que ainda não tenham usado – apesar de estarem “cientes” disso (82%).

Quer saber o mais alarmante? Os dados ainda revelaram que 64% dos pais com filhos menores de sete anos admitiram deixá-los passar o tempo na internet, sem sua supervisão.

© ldprod - fotolia

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Bom, não é?… Se o que pode ocorrer com adolescentes já não é muito animador, imagine então, o que poderia acontecer com as crianças?…

Conclusão

Além das questões frequentemente discutidas na mídia, como a ocorrência do cyberbullying, dos contatos com estranhos e o acesso a conteúdos impróprios na rede, há toda uma categoria de problemas ligados à aprendizagem, bem-estar e à saúde mental de nossos pequenos, que podem se tornar devastadores.

Seria bom ficarmos atentos.

Lembre-se, portanto, que nossa responsabilidade não finaliza quando o pacote do presente de Natal é aberto pelos filhos.

Meu conselho? Não estimule precocemente o convívio das crianças com a tecnologia e, quando isso vier a ocorrer, esteja consciente e bem atento.

Zelar envolve supervisionar de perto, independente se crianças ou adolescentes.

Para sabe mais, acesse: http://cristianonabuco.blogosfera.uol.com.br/2013/10/30/o-que-a-vida-digital-esta-fazendo-com-nossos-filhos/