Dr. Cristiano Nabuco

Segunda-feira: A psicologia por trás do pior dia da semana
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Dr. Cristiano Nabuco

kieferpix - fotolia

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É, de fato, comprovável que a grande maioria das pessoas descreve um sentimento não muito agradável assim que o final de semana chega ao seu fim e, principalmente, às segundas-feiras pela manhã, quando nossa jornada de vida – quer gostemos ou não – precisa ser reiniciada.

Não sei bem ao certo a razão de tal desassossego, mas é possível que nos finais de semana consigamos “desfocar” um pouco as coisas que não caminham bem e, por um pequeno espaço de tempo – dois dias, para sermos mais exatos -, podemos nos desconectar de nossas inquietudes, ao criarmos uma distância segura daquilo que efetivamente não nos faz bem e, finalmente, experimentar um pouco de alívio e de felicidade, ainda que de maneira transitória.

Vamos lembrar que é então no primeiro dia da semana, usualmente, o ponto marcado para o retorno ao trabalho. Momento em que somos obrigados, novamente, a subir no carrossel de nossa vida e, com ele, tentarmos nos estabilizar das oscilações inerentes ao cotidiano, quando também nossa consciência da falta de motivação e de sentido nos é devolvida. É como se, às segundas feiras, portanto, a realidade (nua e crua) nos fosse, a cada nova semana, descortinada, de uma só vez e pronto.

Mas, se isso lhe causa alguma inquietude, fique tranquilo, pois isso não ocorre apenas com você.

Em um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Sidney, na Austrália, um grupo de pessoas foi convidado a descrever como estavam se sentindo durante sete dias, em um determinado momento específico. (1)

No oitavo dia, ou seja, uma semana depois, eles foram indagados a respeito de como se lembraram de seus sentimentos em relação a cada dia vivido na semana anterior. Ocorre que, muito embora os relatos não indicassem lá muitas diferenças em relação à passagem do tempo, as pessoas se lembravam da segunda-feira como o pior dia de sua semana.

Mais estresse

Caso você ache que o efeito segunda-feira é apenas uma impressão, saiba então que alguns estudos têm demonstrado que, neste dia de retorno “à vida”, por assim dizer, há um aumento expressivo de estresse físico e mental gerando, possivelmente, as maiores incidências de infarto agudo do miocárdio. (2)

Isso nos faz pensar então que ao longo da semana, quando as engrenagens da vida giram, nossas necessidades subjetivas de bem-estar não podem (ou não são) tão satisfeitas como, por exemplo, conseguimos nos finais de semana.

Assim, em oposição aos dias de trabalho, aos sábados e aos domingos é como se, enfim, tivéssemos um pouco de tempo para nós mesmos (seja lá o que façamos com ele), todavia, apenas a perspectiva de manejo das situações melhores nos devolve a sensação de estarmos no controle de nossa vida. Portanto, é durante esses dois dias que nossa vitalidade volta a subir, nosso humor tende a oscilar menos, transmitindo-nos a noção de que as coisas são, de fato, mais satisfatórias do que em nosso cotidiano.

schinsilord - fotolia

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Uma outra pesquisa, que vale a pena ser citada, complementa nossa discussão: é nos finais de semana que nossas necessidades psicológicas voltam a ser preenchidas, isto é, durante esse curto período é que retomamos nossa autonomia psicológica, sentindo mais energia, vitalidade e, finalmente, mais espaços para relaxamento.

Tudo isso, porque, ao longo da semana, somos obrigados a fazer coisas que não estão sob nosso controle e, além disso, pesam sobre nós as demandas exageradas de performances, quando temos que nos relacionar com pessoas de quem não gostamos muito, o que aumenta de maneira exponencial o nosso senso de impotência e de incapacidade pessoal. (3)

Paradoxalmente, as percepções de “competência” que supostamente aumentariam no ambiente de trabalho, também não aumentam, pois são maiores em finais de semana, afirmam os pesquisadores. Além de que, durante os dias laborais, maiores foram os registros de sintomas físicos de desconforto como dores de cabeça, tontura e falta de vigor mental, por exemplo.

A investigação indicou que esse período de maior insatisfação começa a terminar às sextas-feiras à noite e vai até o domingo à tarde, quando então começamos novamente a declinar em nosso humor.

Assim eu pergunto: a segunda-feira seria, de fato, o pior dia da semana ou existiria algum componente adicional psicológico que torna esse dia, especificamente, um pouco pior?

A resposta é clara. Pensemos juntos.

Caso você desconheça, saiba então que desenvolvemos dois tipos de representações mentais em relação à passagem do tempo. Um, para os “comuns'' (mais especificamente para a segunda-feira, que é o início) e outro para os finais de semana. Todos determinados por uma constelação de conceitos associados às características de um determinado dia ou período.

Fotolia - milanmarkovic78

Fotolia – milanmarkovic78

Desse ponto de vista, as representações mentais que englobam os dias que vão de segunda a sexta-feira são afetivamente negativos, enquanto que nos finais de semana carregam representações mais ricas e efetivamente positivas.

O que chamamos de “representações”, na verdade, nada mais são do que crenças a respeito de que viveremos nos dias da semana, como mais déficit de sono, mais insatisfação laboral, trânsito, frustração, alimentação incorreta, incompetência pessoal, além de outros fatores que afetam diretamente o bem-estar geral de uma pessoa.

Bem, e no final de semana, sabe o que dizem as pesquisas sobre as representações mentais? Dizem apenas e tão somente que a vida “se ilumina”.

Resumo

Estudos demonstraram que os ciclos temporais naturais (dias, meses, anos) possuem, sim, muito mais influências psicológicas do que imaginaríamos. Os achados de várias investigações demonstram que os ciclos temporais são, na verdade, socialmente construídos e também podem moldar nosso pensamento e nosso padrão de felicidade e de realização. (4)

Assim sendo, é possível que a segunda-feira tenha assumido o papel de bode expiatório ao nos lembrar que há, lá no fundo, uma infinidade de pendências pessoais que, simplesmente, não são ou ainda não foram resolvidas e que, ao nos esquivarmos delas, ingenuamente corremos em direção ao final de semana – como um filho que busca o colo protetor de sua mãe -, para que, sob as influências dos sábados e dos domingos, possamos estar mais protegidos das mazelas da vida.

Essa é uma das várias possibilidades de interpretação que está por trás do pior dia da semana.

Se tudo é, portanto, derivado de uma “construção pessoal'', que tal tentarmos algumas alternativas de enfrentamento?

Pense a respeito.

Referências

(1) http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.1559-1816.2008.00353.x/abstract

(2) http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/19345426

(3) http://selfdeterminationtheory.org/SDT/documents/2010_RyanBernsteinBrown_Weekends_JSCP.pdf

(4) http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4544878/


O outro lado do Pokémon Go
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Dr. Cristiano Nabuco

lumenphotos - fotolia

lumenphotos – fotolia

Como muitos já disseram, o novo jogo recém-lançado mescla a fantasia com a realidade e vai aonde nenhum outro antes chegou.

Ao usar funções de GPS e câmera do telefone celular, o jogo projeta sobre nosso entorno geográfico uma camada de realidade imaginária ao reproduzir no ambiente pequenos monstros, momento no qual o jogador precisa caçar e capturá-los, o que lhes confere uma pontuação. Ao fazer isso, o usuário pode viver algumas doses de excitação, humor, diversão e, obviamente, certo perigo, quando esses dois mundos se encontram. (1)

Desnecessário descrever os eventuais acidentes que podem ocasionar em função da falta ou do desvio de atenção, ao colocar o indivíduo em ações de risco, que o jogo, a certa altura, “trava” e que, finalmente, onde não há sinal da internet, ele simplesmente deixa de funcionar. Por exemplo, conta a mídia estrangeira, de maneira bem-humorada, que o medalhista olímpico Kohei Uchimura, ao chegar a São Paulo – sem se dar conta que estava usando a função roaming internacional de seu celular -, gastou mais de US$ 5 mil apenas “caçando os monstrinhos“. (2)

Mas ironias à parte, há o lado reverso da moeda.

Alguns profissionais de saúde mental, apenas citando um exemplo, chegam a sugerir que pessoas com depressão e fobia social façam uso do aplicativo, pois ele naturalmente impeliria a uma maior interação social ao tirar pacientes de seu quarto e fazê-los se relacionar, além de, obviamente, despertar novos interesses. (3)

Claramente podendo cumprir uma função terapêutica, minha opinião é a de que essas pessoas, embora estejam “animadas” em suas empreitadas, elas ainda habitarão suas bolhas, vivendo através de uma realidade paralela e, acima de tudo, ignorando aqueles que estão à sua volta.

Portanto, que me perdoem os colegas, mas o argumento é bastante frágil. Devo dizer que eu jamais indicaria a meus pacientes com depressão ou com fobia social usar o Pokémon Go como ferramenta auxiliar de enfrentamento dos problemas psicológicos.

Além disso, cá entre nós, afirmam especialistas em jogos que a lógica do aplicativo é repetitiva e, diferente de outras modalidades de entretenimento digital, não requer muita criatividade para ser usado. Não é por isso, entretanto, que ele não produza uma resposta negativa ao evocar doses expressivas de ansiedade em seus usuários (imagine então nas crianças?).

E a ansiedade, caso você ainda não saiba, está ligada ao cortisol. O cortisol, como sabemos, é um hormônio cuja função é a de ajudar o organismo a reduzir inflamações, controlar o estresse etc. Entretanto, nos casos de estresse crônico, faz com que o cortisol provoque ganho de peso, insônia, diminuição do sistema imunológico, dentre outros efeitos não lá muito positivos.

Assim sendo, tomando por base uma análise mais recreativa, claro, ele pode ser usado. Mas, uma pergunta ainda me inquieta: qual seria a dose ideal de exposição diária para que o Pokémon Go não produza consequências indesejáveis?

Além de um pouco de exercício físico, quais benefícios psicológicos (ou pedagógicos) ele traz?…

Desta forma, ainda acho bastante controverso dizer que o jogo é “legal” apenas porque, aparentemente, crianças e adolescentes (adultos também, vários, diga-se de passagem) parecem estar se divertindo.

Como todos sabem, os jogos viciam e, com eles, uma outra porta se abre, principalmente, aquela ligada às dependências e aos vícios comportamentais (que provocam a liberação de dopamina, inclusive). Muitos dependentes de internet e de celular também me dizem o mesmo, sabia?

Portanto, que tal zelar por nossos pequenos ao desenvolvermos uma postura mais atenta a respeito das “coisas” eletrônicas?…

Para se pensar, não é mesmo? Mesmo que talvez muitos não concordem comigo, o Pokémon Go tem, sim, um outro lado menos recreativo e mais preocupante.

 

Referências

(1) https://www.buzzfeed.com/josephbernstein/pokemon-go-8-problems-that-could-dethrone-the-game?utm_term=.jfN8QAq3V#.sw9gDdNrW

(2) http://english.kyodonews.jp/news/2016/08/424110.html

(3) http://www.sciencealert.com/pokemon-go-is-reportedly-helping-people-with-their-depression


Pesquisa revela relação entre problemas no trabalho e a infância
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Dr. Cristiano Nabuco

fotolia - Photographee.eu

fotolia – Photographee.eu

Curioso o que acontece conosco em nossa infância, não acha?… Pois bem, dependendo do tipo de ambiente em que vivemos, nossa capacidade de nos sentirmos bem aumenta de maneira exponencial na vida adulta.

Funciona mais ou menos da seguinte forma: quando experimentamos as boas relações enquanto pequenos, nossa autoestima é consolidada de maneira positiva. Por outro lado, quando essa necessidade de amparo não é disponibilizada pelos cuidadores, a criança tem a chance de tornar-se mais insegura e retraída.

Lembremos que, enquanto pequenos, sempre vivemos momentos de muita angústia e, como nossa personalidade está em plena formação, apoio ou ameaça tornam-se vivências decisivas na composição do que nos tornaremos em nosso futuro.

Assim sendo, quando nossos pais estão mais atentos às nossas necessidades infantis, criamos uma tolerância adicional para lidar com os momentos de tensão, pois nos sentimos mais “protegidos” e, principalmente, mais confiantes de nossa capacidade de enfrentamento.

Por outro lado, crescer em espaços onde a ausência dos pais é marcante, a autoestima infantil se solidifica de uma maneira mais incerta e insegura, aumentando de maneira exponencial a possibilidade de ela não se sentir confiante nos momentos futuros de tensão e estresse.

Uma nova pesquisa publicada na revista Human Relations revelou que as relações e os comportamentos observados no local de trabalho também apresentam uma forte ligação com os estilos parentais vividos na infância.

Os pesquisadores estudaram como esses estilos de vinculação interferem no comportamento organizacional. Segundo o que foi especulado, os indivíduos podem transferir este padrão de ligação com os pais para o local de trabalho e, em particular, influenciar de maneira determinante o relacionamento com o próprio chefe.

A premissa é a de que como os pais cuidam da criança, os chefes – teoricamente -, agindo como os responsáveis no local de trabalho, “cuidariam” do adulto no local de trabalho, treinando, apoiando etc.

A conclusão foi interessante.

No caso de pessoas que foram bem cuidadas na infância, constatou-se que a conduta dos chefes interferiu menos no comportamento desses indivíduos, pois como cresceram sentindo-se amparados, a presença de chefes mais críticos ou menos tolerantes, abalou menos a autoestima desses funcionários.

Entretanto, no caso de adultos que cresceram em lares menos alicerçados, a reação emocional dos chefes – quando não muito positiva -, acabou por gerar um impacto emocional mais negativo nessas pessoas.

Bem, e a consequência para o ambiente de trabalho?

Funcionários com histórias negativas de ligação e de apego com os pais foram aqueles que relataram níveis mais elevados de estresse e os menores níveis de desempenho profissional.

Como se sentiam (muito) mais ameaçados do que os profissionais seguros, exibiram adicionalmente menores habilidades de ajudar os colegas de trabalho e poucos recursos emocionais para manejar as situações de tensão (pois não havia “registro” histórico de sucesso em sua memória).

Resumo da ópera? Simples.

As pessoas, de fato, mais do que se imagina, vêm para o local de trabalho trazendo suas seguranças ou inseguranças vividas originalmente em suas relações com as figuras de apego (pai ou mãe) e que, obviamente, serão ativadas no ambiente organizacional.

Talvez fosse interessante que, antes mesmo de fazer algum trabalho para a melhoria do clima organizacional, que os profissionais de RH tivessem mais conhecimento a respeito da mecânica de formação de nossa personalidade (infantil) e, cientes disso, arquitetassem estratégias mais direcionadas e mais efetivas de mudança pessoal.

 

Referência bibliográfica

http://hum.sagepub.com/content/early/2016/05/20/0018726716628968

Para saber mais, consulte: Abreu, CN (2010). Teoria do apego: fundamentos, pesquisa e implicações clínicas. SP: Editora Casa do Psicólogo.


Beleza e confiabilidade: o velho equívoco do cérebro
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lettas - fotolia

lettas – fotolia

A certa altura da vida, naturalmente se aprende a olhar além das aparências. À medida que o tempo passa, compreendemos que aquilo que nossos olhos nos dizem pode não ser tão verdadeiro, principalmente no que diz respeito à imagem pessoal de alguém e descobrimos então ser necessário ir um pouco mais além.

Embora a maturidade nos ajude bastante, psicólogos já sabem que a visão que desenvolvemos de uma pessoa pode não ser decorrente apenas e tão somente de nossas interpretações, mas profundamente influenciada por nosso cérebro primitivo.

E, caso ainda você não tenha se dado conta, fique então ciente de que nossas preferências por certas pessoas estarão, de alguma maneira, atreladas àquelas que nos parecem mais atraentes.

Pode parecer algo bem superficial, não acha? Mas, na realidade, não é.

Muitos estudos de psicologia já haviam provado a existência do chamado “estereótipo de beleza'', isto é, pessoas mais bonitas são tidas por seus pares como mais inteligentes, mais sociáveis e, finalmente, mais bem-sucedidas.

É dessa forma que as pessoas se valem de certos sinais faciais para, automaticamente, poder fazer julgamentos a respeito do caráter de alguém – o que, diga-se de passagem, é uma parte crucial do funcionamento social.

Aristóteles, a esse respeito, dizia: “A beleza é a melhor carta de recomendação.”

Esse fenômeno tem em sua base uma de nossas tendências biológicas mais ancestrais ao compreender que uma pessoa mais atraente possivelmente será mais saudável e, portanto, com menos risco de carregar e/ou transmitir as doenças que tantas vidas dizimaram nos primórdios de nossa existência. Em épocas em que o conhecimento era escasso e a sobrevivência crucial, formar impressões imediatas a respeito de terceiros pode ter se revelado de grande importância.

De qualquer forma, mesmo que tenhamos avançado bastante no tempo, ainda carregamos essa predisposição.

Veja só: Em um estudo que acaba de ser publicado na revista Frontiers in Psychology, pesquisadores descobriram que as crianças também atribuem o grau de confiabilidade a alguém em decorrência direta de seu grau de atratividade. Ou seja, constatou-se que também para os pequenos, quanto menos atraente uma pessoa for, menos confiável ela parecerá ser. (1)

O estudo avaliou 138 crianças com idade variando entre 8 e 12 anos quando, no experimento, lhes foram apresentadas 200 imagens de rostos masculinos – todos eles com uma expressão neutra e com um olhar direto.

Na primeira exposição, a cada um foi mostrada uma dessas faces, e onde se pediu que avaliassem o quão confiável eles achavam que essa pessoa poderia ser.

Depois de um mês, seguiu-se uma segunda sessão de apresentações onde agora lhes fora pedido que classificassem a atratividade desses mesmos rostos.

Ao analisar as respostas, encontrou-se uma forte correlação entre os dois traços, ou seja, as faces consideradas as mais confiáveis foram também aquelas tidas como as mais atraentes pelas crianças – relação esta que foi se intensificando com a idade.

Moral da história: ainda que o tempo tenha passado e sejamos muito mais conscientes que nossos irmãos primitivos, adultos ou crianças, a atratividade de uma pessoa ainda é inconscientemente percebida como uma forte indicação de seu caráter.

Seria bom, portanto, que fôssemos mais conscientes dessas tendências biológicas e, ao tomar consciência disso, que nossa opinião não fosse tão determinada pelas impressões de beleza física de alguém. E, como dizia aquele velho ditado: “não julgue um livro por sua capa”.

Referência

http://journal.frontiersin.org/article/10.3389/fpsyg.2016.00499/full


Como o cérebro dos adolescentes reage às mídias sociais
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Dr. Cristiano Nabuco

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Podem dizer o que for, mas simplesmente não há como negar que a vida digital e, principalmente, o acesso frequente aos sites de mídia social (como o Facebook e Instagram, por exemplo) exerce uma poderosa influência sobre a saúde mental de todos, sobretudo no que diz respeito aos usuários adolescentes.

Pesquisadores da Universidade da Califórnia, Los Angeles, tendo esta preocupação em mente, realizaram um estudo para determinar o que ocorre com os circuitos cerebrais dos jovens quando postam conteúdo nas redes sociais.

Assim, ao tomar por base o tempo gasto pelos adolescentes nessas plataformas, que podem variar de oito a dezoito horas por dia – mais do que o tempo destinado, inclusive, ao sono -, este hábito pode vir a influenciar o cérebro dos jovens, ainda em processo de desenvolvimento. (1)

O experimento

Cerca de 32 adolescentes, com idades variando entre 13-18, foram informados de que estariam navegando em uma pequena rede social, semelhante ao aplicativo que compartilha fotos, o conhecido Instagram.

Desta forma, os pesquisadores apresentaram a cada um dos participantes um total de 148 fotografias, incluindo 40 fotos que cada jovem havia selecionado, enquanto que, simultaneamente, era avaliada a atividade cerebral individual através da ressonância magnética funcional. (2)

Importante dizer que junto a cada foto também era exibido o número de “likes” que cada uma delas havia recebido de outros participantes, mas que, na verdade, era falso, pois havia sido manipulado de forma positiva pelos pesquisadores a indicar que haviam sido bem aceitas pelos demais.

O resultado mostrou que quando os jovens viam suas próprias fotos com um grande número de “likes”, o núcleo accumbens – que faz parte do circuito de recompensa do cérebro-, era fortemente ativado, isto é, ao perceberem maiores níveis de aprovação social, o cérebro reagia de maneira semelhante a quando se come chocolate ou se ganha dinheiro, por exemplo.

Na sequência, os pesquisadores perguntavam aos adolescentes quais fotos eles haviam “mais gostado”. E, adivinhe quais foram as escolhidas? Exatamente aquelas que receberam maior aceitação social – mostrando claramente a tendência de influência do grupo sobre o comportamento individual.

Um dado relevante: fotos que haviam sido postadas por outros, mas que exibiam algum tipo de comportamentos de risco, se bem avaliadas pelos demais (isto é, também indicadas com mais “likes”), surpreendentemente eram também enaltecidas por cada um, claramente demonstrando a preocupação em ficar em sintonia com a opinião geral, o que foi também responsável por uma menor ativação das redes neurais de controle cognitivo.

 A conclusão

Ficaram evidentes algumas coisas: que os jovens reagiam de forma diferente aos estímulos quando eles acreditavam que os mesmos eram endossados pela maioria de seus pares, ainda que esses “amigos”, por assim dizer, lhes fossem completamente estranhos.

O sentimento de valorização também demonstrou uma forte ativação cerebral nas áreas de recompensa e de prazer (semelhante ao que é observado em outros vícios, inclusive).

E, finalmente, a perda momentânea dos juízos de valor.

Todos esses elementos combinados, em parte, podem se tornar uma das razões pela qual postar fotos pessoais e acompanhar a oscilação do grau de aprovação ao longo do dia (olhando de maneira compulsiva os tablets e celulares) pode ser um dos mecanismos da dependência ou vício à tecnologia, inclusive, tornando mais clara a razão porque os faz gastar um tempo precioso de sua vida apenas checando as telas e desconsiderando o entorno.

E fica aqui, portanto, uma importante pergunta: Os pais deveriam estar preocupados com a influência das mídias sociais, não apenas em relação ao tempo gasto (como se isso já não fosse o bastante), mas igualmente pela interferência negativa dos exemplos de terceiros?

Sim, seguramente (e talvez os videogames, com sua natural exaltação à violência, não sejam, individualmente, os grandes modeladores dos comportamentos de risco).

Assim, muito parecido com outros meios, ambientes sociais (e agora também digitais) têm características positivas e negativas, todavia, muitas vezes, além dos aspectos já bem conhecidos, pessoas que não são de convivência próxima aos nossos filhos podem ser, de maneira silenciosa, determinantes na formação de atitudes e da personalidade, ao fazer com que os jovens, ainda em processo de formação, muitas vezes, adotem ações pouco saudáveis, mas que evoquem grande repercussão social.

Portanto, é bem possível que o cérebro dos adolescentes, frente às mídias sociais, precisem, efetivamente, ser mais acompanhados.

 

Referencias

1) http://www.usatoday.com/story/news/nation/2015/11/03/teens-spend-more-time-media-each-day-than-sleeping-survey-finds/75088256/

2) http://pss.sagepub.com/content/early/2016/05/24/0956797616645673.abstract

 


Realidade virtual e a luta contra o Alzheimer
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Dr. Cristiano Nabuco

Fotolia - Kaspars Grinvalds

A maneira como uma pessoa se desloca dentro de um labirinto virtual pode dar importantes pistas e, inclusive, prever as chances de uma pessoa vir a desenvolver a doença de Alzheimer em futuro próximo.

Essa foi a conclusão de um estudo publicado na Revista Science. (1)

Nele se descobriu que as pessoas em situação de risco para o aparecimento da doença apresentam uma menor atividade nas células de navegação do cérebro – também conhecidas como “células de grade'' (ou, no inglês, grid cells) – um tipo de bússola biológica.

Cientistas, anteriormente, batizaram de “células de grade”, o que fornece a localização geográfica a ratos, morcegos e macacos, mas recentemente também se comprovou sua existência em humanos.

Desta forma, tal sistema é ativado, tomando por base a forma como os indivíduos se movem, informando-os seu posicionamento e localização em um plano imaginário de coordenadas.

Por exemplo, feche os olhos e ande cinco passos para frente e depois vire à direita, dando mais 3 passos – aqui estarão as células de grade entrando em funcionamento e rastreando sua posição.

© gloszilla - Fotolia.com

© gloszilla – Fotolia.com

O experimento com a realidade virtual junto aos participantes envolveu a apresentação de um cenário onde havia um céu azul, algumas montanhas a distância e, finalmente, objetos comuns de nosso cotidiano espalhados pelo chão. Os participantes então foram orientados a coletar os objetos virtuais e, posteriormente, devolvê-los ao mesmo lugar através da utilização de um joystick. A equipe monitorou a atividade cerebral de cada participante através de ressonância magnética funcional.

O monitoramento permitiu que os cientistas observassem as atividades de células de grade em uma região cerebral chamada de córtex entorrinal – uma das primeiras regiões atingidas em pacientes que sofrem do Mal de Alzheimer e, supostamente, razão pela qual esses pacientes estão mais propensos a se perder – ao apresentar comprometimentos na noção de espaço e perda de memória.

Os pacientes com pior performance na tarefa virtual foram aqueles que estão em situação de vulnerabilidade para o desenvolvimento futuro de Alzheimer, segundo entenderam os pesquisadores.

Embora seja pouco provável que apenas “testes de navegação” virtuais sejam utilizados como um diagnóstico precoce da doença de Alzheimer, a informação contida no experimento pode ser um passo adiante em direção a terapias preventivas.

É a tecnologia colaborando diretamente no cuidado e na prevenção em saúde mental.

 

Referência

(1) http://science.sciencemag.org/content/350/6259/430


Dificuldades para dormir na primeira noite fora de casa? A ciência explica.
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Dr. Cristiano Nabuco

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Dormir fora de casa ou em ambientes estranhos para muitas pessoas, efetivamente, pode se tornar um problema, ainda mais na primeira noite.

Sem dúvida, essa é uma dificuldade que os viajantes normalmente enfrentam e que pesquisadores parecem ter chegado a uma conclusão interessante.

Denominado de “efeito da primeira noite”, um estudo conduzido pela Brown University descobriu que uma das possíveis causas desse problema pode ser decorrente de nossa biologia pessoal.

O que ocorre?

Quando deveríamos estar dormindo profundamente, o hemisfério esquerdo de nosso cérebro,  constatando que estamos em ambiente incomum, permanece mais ativo, deixando-nos com um sono “superficial”. Segundo os pesquisadores, é como se nossos instintos mais ancestrais nos deixassem em estado de vigilância e de prontidão contra algo ruim que poderia vir a acontecer, consumindo, portanto, mais tempo para nos colocar em adormecimento, ou até resultando em um sono de pior qualidade (por isso acordamos mais cansados).

Essa assimetria cerebral durante o sono, segundo revelam os pesquisadores, também é encontrada em mamíferos como focas, golfinhos e baleias.

Para verificar se isso ocorria igualmente com os humanos, os pesquisadores recrutaram 35 voluntários que passaram duas noites em laboratório e os submeteram a alguns testes noturnos.

Um dos experimentos consistia em expor sons agudos durante toda a noite em ambos os ouvidos dos participantes e, ocasionalmente, foram introduzidos sons diferentes do normal. Eles descobriram que a resposta do cérebro aos sons inesperados foi maior no ouvido direito (que levava ao hemisfério esquerdo), do que no lado oposto. Desta forma, o hemisfério esquerdo experimentou despertares mais frequentes do que o direito, além de alterações mais frequentes nos sinais vitais dos sujeitos.

A equipe fez um experimento final no qual um novo grupo de voluntários ouviu sons enquanto dormiam, só que desta vez, eles foram instruídos a levantar seus dedos levemente, caso fossem despertados pelo som. Os voluntários acordavam mais rapidamente depois de ouvir sons em sua orelha direita (que ativa principalmente no hemisfério esquerdo do cérebro) do que em sua orelha esquerda (que ativa o hemisfério direito).

Conclusão

Tomados em conjunto, os resultados sugerem que o hemisfério esquerdo fica mais ativo na primeira noite de sono em ambientes desconhecidos, decorrente então do que se conjecturou ser um possível mecanismo de proteção que mantém o cérebro alerta de possíveis perigos.

Vamos lembrar que todos esses achados foram observados apenas na primeira noite de sono e não mais nas noites subsequentes.

Para minimizar esses efeitos, os pesquisadores sugerem então que as pessoas levem seu próprio travesseiro nas viagens como forma de diminuir as impressões de estranheza do ambiente, ou ainda, que se procure dormir sobre o ouvido direito, como forma de impedir que o hemisfério esquerdo se torne um guarda-noturno ao nos fazer dormir menos e mal.

Não custa nada tentar…

 

Referência

http://www.cell.com/current-biology/pdfExtended/S0960-9822(16)30174-9


Efeitos do uso excessivo da internet e dos videogames sobre a memória
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Dr. Cristiano Nabuco

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Sabe-se que a grande maioria dos adolescentes dispendem um tempo expressivo de seu dia (principalmente à noite) utilizando videogames, celulares, internet e eletrônicos de todos os tipos, na intimidade de seu quarto, inclusive quando deitados, o que retarda de maneira significativa a entrada no ciclo do sono.

Já é bem documentado que o sono é vital na manutenção do equilíbrio e do bem-estar, além de ocupar um papel fundamental na consolidação e performance da aprendizagem e da memória.

Veja só: os videogames aumentam de maneira expressiva algumas variáveis metabólicas e fisiológicas, incluindo uma grande estimulação no sistema nervoso central.  Diferentemente, por exemplo, de outras plataformas onde se interage de maneira mais relaxada, nos games se registra o aumento dos batimentos cardíacos, da pressão sanguínea, respiração, supressão momentânea de alguns processos digestivos, dentre outros, o que interfere pontualmente na qualidade do sono subsequente. (1)

Algumas concepções entendem que um alto nível de emoções – a exemplo do que é vivido nos jogos virtuais – pode prejudicar, inclusive, o processo de aprendizagem. Como o conhecimento adquirido ao longo do período de vigília ainda está sob consolidação, a intensidade emocional decorrente dessa estimulação noturna pode interferir de maneira significativa na capacidade de nossos jovens. Como os games produzem desafio, surpresas, excitação e, principalmente, a frustração, todas essas alterações são acompanhadas de importantes mudanças fisiológicas.

Estudos de PET SCAN (tomografia por emissão de pósitrons) mostraram uma expressiva liberação de dopamina e norepinefrina durante o uso de videogames, o que, diga-se de passagem, são os mesmos neurotransmissores envolvidos no processo de aprendizagem.

Numa pesquisa com crianças em idade variando entre 10 e 14 anos, evidências demonstraram que apenas uma noite com restrições de sono já seria o suficiente para enfraquecer as funções cognitivas de maneira importante. (2)

Entende-se que durante as fases do sono REM (movimento rápido dos olhos) e do sono de ondas lentas é que se daria a consolidação do processo no qual a memória do cotidiano seria fixada. (3)

Portanto, uma vez que os videogames reduzem a quantidade do sono de ondas lentas, a consolidação da memória fica então seriamente prejudicada. (4)

Além disso, uma vez que mais tempo de frente ao vídeo pressupõe menor tempo destinado às atividades físicas – que tem uma das consequências afetar positivamente as estruturas cerebrais e melhorar as performances acadêmicas (concentração etc) -, estima-se que essa redução poderia também afetar a saúde física ao aumentar o cansaço e reduzir conjuntamente a prontidão atencional dos jovens no dia seguinte.

Conclusão

Por que será então que os problemas na escola e a baixa performance acadêmica estão se tornando cada vez mais frequentes junto aos adolescentes? Apenas decorrente das questões pedagógicas da escola é que não é, correto?…

Os pais deveriam hoje, mais do que nunca, procurar saber o que ocorre na vida digital de seus filhos e, assim, ajudar a zelar por uma melhor qualidade de vida de nossos pequenos.

Não é apenas porque estão na segurança “do quarto” e “entretidos” que as coisas necessariamente estão indo bem.

Pense nisso.

 

Referências

 (1) Wang X, Perry AC. (2006). Metabolic and Psysiologic Response to Video Game Play in 7- to 10-year old boys.       Arch Pediatr Adolesc Med, 160:411-415.

(2) Radazzo AC, Muehlback MJ, Schweitertzer PK, Walsh JK. (1998). Cognitive Function Following Acute Sleep Restriction In Children ages 10-14. Sleep, 21:861-868.

(3) Hasselmo ME. (1999). Neuromodulation: Acetylcholine and Memory Consolidation. Trends Cogn Sci, 3:351-359.

(4) Dworak M, DiplSportwiss, Schierl T, Bruns T, Struder HK. (2007). Impact of Singular Excessive Computer Game and Television Exposure on Sleep Patterns and Memory Performance of School-Aged Children. Pediatrics, 120:978-985.

 


Efeitos da Terapia Cognitivo-Comportamental no Cérebro: Um Estudo
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Dr. Cristiano Nabuco

Fotolia - decade3d

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Introdução

Como sabemos, o cérebro humano apresenta uma extrema capacidade de mudança, isto é, decorrente de estimulações vindas do ambiente, da aprendizagem e, finalmente, das emoções, nossas estruturas cerebrais reagem prontamente a vários tipos de situações.

Assim, diferentemente do que se sabia décadas atrás, nosso cérebro está em constante interação com o meio ambiente, sendo afetado de uma maneira ininterrupta através das experiências que temos em nosso cotidiano. Portanto, longe de ser uma estrutura finalizada, nossa mente e nosso cérebro estão em profunda e contínua transformação.

Um exemplo foi demonstrado por uma investigação junto a motoristas de taxi da cidade de Londres. Como se sabe, para se desempenhar bem essa função, os motoristas devem, obrigatoriamente, memorizar cerca de 320 rotas que passam pela referida cidade, composta por aproximadamente 25 mil ruas e mais de 20 mil locais de interesse público. (1)

Comparados a um grupo controle (o de não motoristas), investigações de ressonância magnética no cérebro mostraram um aumento expressivo do volume do hipocampo posterior – região associada à memória, comprovando assim a capacidade de mudança do cérebro dos taxistas, o que ocorreu, inclusive, na fase adulta.

A investigação

Tendo isso em mente, um grupo de pesquisadores procurou verificar como psicoterapia cognitivo-comportamental poderia afetar o volume do cérebro e sua atividade.

Assim, o foco se concentrou em pacientes com ansiedade social – um dos problemas mais comuns de saúde mental.

O estudo recrutou 26 indivíduos que foram tratados com terapia cognitivo-comportamental (fornecidas através de orientações dadas pela internet) por um período de nove semanas. (2)

Assim, antes e depois do tratamento, os cérebros dos pacientes foram examinados por ressonância magnética.

O resultado foi bem interessante.

Quanto mais expressiva foi a melhora registrada junto aos pacientes tratados, menor fora o tamanho da amídala ao final da intervenção em psicoterapia, se comparado ao grupo controle.

Vale lembrar que a amídala cerebral é aquela região associada com a manifestação das emoções, ou seja, quanto maior for o volume da amídala cerebral, nos casos de ansiedade social, maior será a severidade dos casos.

Portanto, após o tratamento, verificou-se uma reorganização importante, o que resultou em um menor volume da substância cinzenta e da responsividade neuronal das amídalas, contribuindo para um menor nível de ansiedade.

O estudo sugere então que a redução do volume da amídala propiciou uma redução expressiva e direta da atividade cerebral dos pacientes tratados com a psicoterapia.

Conclusão

É por essa e tantas outras razões que a psicoterapia moderna pode ser denominada como aquela que oferece, efetivamente, uma “fala curativa” aos pacientes. Com direito, inclusive, a alterações cerebrais significativas.

Embora exista hoje um número expressivo de pessoas que ainda é bastante refratária a esse tipo de tratamento, a psicoterapia cognitivo-comportamental – considerada padrão ouro para tratar 85% dos problemas de saúde mental -, ainda se mostra uma das melhores opções. (3)

Pense nisso.

 

Referências

(1) http://www.bbc.com/news/health-16086233

(2) http://www.nature.com/tp/journal/v6/n2/pdf/tp2015218a.pdf

(3) http://clinicalevidence.bmj.com/x/index.html

 


Estresse e a perda de memória
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Dr. Cristiano Nabuco

Fotolia - milanmarkovic78

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Pois é, já não é de hoje que ouvimos centenas de consequências decorrentes dos estados de estresse junto ao nosso organismo: arritmias, infarto e avc, hipertensão arterial, aumento da glicemia e colesterol, depressão, queda do sistema imunológico, além de vários outros.

O que possivelmente você ainda desconhecia é o fato de que o estresse contínuo – aquele que você “naturalmente” se acostuma – pode levar também a problemas mais sérios de memória.

Um estudo que acaba de ser publicado demonstrou a relação entre a memória de curto prazo e estresse prolongado.

Utilizando uma pesquisa com modelos animais (ratos) em um labirinto experimental, cientistas introduziram no ambiente, que antes era tranquilo, um rato intruso bem maior e, para aumentar o desconforto, o fizeram de maneira repetida com a passagem do tempo.

Aqueles ratos que foram constantemente expostos ao intruso agressivo, apresentaram um comportamento bastante curioso: eles, na tentativa de fuga, levavam muito mais tempo dentro do labirinto para lembrar onde estava o buraco de fuga (se comparado ao tempo anterior sem a presença do predador no ambiente).

Além disso, os roedores perturbados também apresentaram alterações significativas em seu cérebro, incluindo evidências concretas de inflamação, supostamente causada pela resposta do sistema imunológico à pressão do ambiente, visível pela presença de células imunes, chamadas macrófagos, no cérebro dos ratos estressados.

Além da dificuldade de se lembrar para onde fugir, sabe por quanto tempo a memória dos roedores permaneceu afetada? Os ratos estressados levaram nada menos do que 28 dias, após o término do experimento, para se recobrar de suas lembranças.

Como se isso já não bastasse, além da erosão da memória, os pesquisadores perceberam que os animais perturbados mostraram expressiva evitação social (diminuição do contato com outros ratos) que, aliás, permaneceu ainda ativa após as quatro semanas de acompanhamento (leia-se: provocando deficiências psicológicas mais duradouras).

Conclusão

Os achados nos fazem pensar então que, muito além dos “velhos problemas” ocasionados por um modo de vida pouco saudável, estar sob pressão pode causar danos também ao nosso cérebro. Assim, se os resultados da pesquisa acima puderem ser replicados em humanos, seria bom ficarmos atentos.

Ao levarmos uma vida “agitada” demais, longe de ser algo normal, abrimos espaço para que problemas cognitivos (decorrentes da perda de memória) possam, ainda mais, impactar nossa mente e nosso humor.

Vamos prestar mais atenção em nossa qualidade de vida? Sua memória agradece.

 

Fonte

http://www.jneurosci.org/content/36/9/2590