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Blog do Dr. Cristiano Nabuco

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Baixa autoestima: alguns estudos

Dr. Cristiano Nabuco

12/11/2014 09h00

© Mitarart - fotolia

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A construção da autoestima é um processo que tem início em nossa infância, o que não é novidade para ninguém. E o tema, há tempos, tem atraído a atenção de muitos clínicos e pesquisadores.

Cada abordagem ou sistema psicológico sempre defendeu uma possível razão para explicar as "experiências" que não saíram muito bem na vida de alguém e que podem, potencialmente, comprometer o equilíbrio na vida adulta.

Já se tornou um clássico, inclusive, que muitos profissionais de saúde mental tenham desenvolvido o péssimo hábito junto a seus pacientes de culpabilizar a mãe ou o pai pelas mazelas do passado (costumo chamar isso de "terceirização do problema").

Mas, antes de continuarmos, seria interessante compreender melhor esse conceito.

O que é autoestima?

Em Psicologia, o termo autoestima foi usado pela primeira vez por Willian James em 1892, ao descrever a sensação geral que uma pessoa apresenta em relação ao seu valor pessoal.

Segundo alguns teóricos, a autoestima é semelhante a um traço de personalidade, o que significa dizer que ela tenderia a ser estável e duradoura.

Assim, a autoestima pode envolver uma variedade de crenças que incluem a opinião da própria aparência, das necessidades que eu tenho, das minhas emoções e, finalmente, de meus comportamentos.

Mas, como ela pode se tornar negativa?…

Pesquisas empíricas

Uma baixa autoestima tem sido correlacionada a um número de resultados negativos vividos em fases iniciais, tais como a depressão, abandono, estilos parentais evitativos, baixo rendimento escolar, preconceito, obesidade etc.

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Como efeito, pessoas com autoestima mais baixa são aquelas mais cercadas por ideias de fracasso, tendendo a exagerar as situações de vida como sendo fundamentalmente negativas. Por exemplo, muitos desses indivíduos interpretam comentários neutros como sendo uma crítica pessoal, por isso, muitas vezes se tornam mais pessimistas e descrentes das relações interpessoais.

Além disso, como se sentem incapacitados, alguns estão mais propensos a sofrer de ansiedade social em função dos sentimentos de perigo e de ameaça constantes. Isso faz com que a interação com outros seja sempre mais complicada e difícil, derivada, portanto, do alto nível de desconforto emocional que naturalmente os acompanham.

O resultado? Uma inabilidade de se expressar de maneira espontânea, reforçando assim seu senso de inadequação.

Bem, e as pessoas com uma boa autoestima?…

Simples, faça todo esse raciocínio no sentido inverso. Apenas para lhe dar uma pista, como esses indivíduos sempre se sentiram mais confortáveis consigo mesmo e em seu entorno (ou seja, viveram mais emoções neutras ou positivas), isso lhes transmitiu uma possibilidade de ter um maior foco no crescimento e na melhoria das coisas, estando naturalmente mais abertos e sociáveis.

Autoestima na infância

Se eu for resumir esse processo, eu diria que as crianças, naturalmente, não sofrem por uma baixa autoestima, ou seja, ninguém nasce se sentindo menor ou inferior, entretanto, na medida que nos desenvolvemos, somos rodeadas por centenas de experiências que nos oferecem um maior ou menor nível de tensão ou de dificuldades. Quem já passou pela infância, sabe do que eu estou falando… Há lares para todos os gostos.

Como temos uma urgência de buscar proteção dos mais velhos – processo esse fundamentalmente biológico -, quanto mais atentos estiverem as pessoas a respeito de minhas necessidades, melhor e maior serão as sensações de proteção que eu construirei, tendo como participantes de minha identidade.

Assim, ambientes positivos geram maior prestígio pessoal, uma melhor autoestima e, portanto, maiores serão as chances de sucesso na vida. Já um ambiente empobrecido de trocas, mais crítico e engessado emocionalmente, menos confortável, fará com que eu me sinta mais hesitante.

E o resultado? Mais desencorajado eu ficarei para fazer novas coisas, diminuindo as chances de eu me tornar uma pessoa mais estruturada.

É por isso que a baixa autoestima se relaciona a escolhas pobres de parceiros, gravidez precoce, bullying, uso abusivo de álcool e drogas etc, ou seja, pessoas dotadas de uma maior dificuldade de administrar as circunstâncias chamam para si situações e pessoas mais adversas.

O que fazer?

Bem, esta é a parte que mais nos interessa.

Costumo dizer que a vida e as pessoas nos ofereceram aquilo que efetivamente podiam em um determinado momento de sua existência, portanto, acho realmente injusto culpar os cuidadores (ou alguém mais) por nossas dificuldades atuais.

Veja, aqui temos um verdadeiro paradoxo.

© LoloStock - fotolia

© LoloStock – fotolia

Se não foi culpa dos demais, talvez não seja também nossa culpa ter experienciado ambientes negativos, pois certas configurações familiares são apenas repetições de estruturas do passado e que se mantêm inalteradas com o passar do tempo.

Saiba, portanto, que nossos pais reproduzem conosco aquilo que aprenderam com seus pais (nossos avós), que também assimilaram de seus pais (nossos bisavós), criando uma legítima cadeia de interações. Sabia que 74% dos estilos parentais se mantêm inalterados por até quatro gerações?

Assim, nossa responsabilidade, neste momento, seria a de não perpetuar o sofrimento, evitando assim passá-lo adiante.

Recordo-me sempre de uma frase antiga que dizia o seguinte: "não importa o que fizeram conosco, mas sim, o que fazemos com aquilo que fizeram de nós".

Dessa forma, o primeiro passo para quebrar essa cadeia e alterar a autoestima é fazer as pazes com o passado. Ao fazer isso, estamos mais aptos para desenvolver novas conexões afetivas (que sejam mais respeitosas e suportivas – caso você não aprecie as anteriores). Ao produzirmos isso, aumentamos nosso senso de autoeficácia e bem querer pessoal, que é o elemento chave de nossa experiência de satisfação e prazer.

Segunda dica: entenda que nossas imperfeições e dificuldades não nos diminuem, em absoluto, mas apenas nos ajudam a trabalhar na direção de um aprimoramento pessoal.

E, finalmente, tenha confiança em si mesmo e em sua vida. Não é porque certas coisas no passado saíram fora do planejado, que o futuro lhe aguardará com as mesmas armadilhas. A vida pode sim, potencialmente, ser positiva. Agora depende absolutamente de nós mesmos.

Concluindo: "É durante as fases de maior adversidade que surgem as grandes oportunidades de se fazer o bem a si mesmo" – Dalai Lama.

 

Sobre o autor

Cristiano Nabuco é psicólogo e atua em consultório particular há 32 anos. Tem Pós-Doutorado pelo Departamento de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Atualmente trabalha junto ao PRO-AMITI do Instituto de Psiquiatria do HC/FMUSP; Coordena o Núcleo de Terapias Virtuais (SP) e o Núcleo de Psicoterapia Cognitiva de São Paulo. Foi Presidente da Federação Brasileira de Terapias Cognitivas (FBTC). Publicou 13 livros sobre Psicologia, Psiquiatria e Saúde Mental.

Sobre o blog

Neste espaço, são discutidas ideias e pesquisas sobre comportamento humano, psicologia e, principalmente, temas que se relacionam ao cotidiano das pessoas. Assuntos centrais na construção de nossa autoestima, felicidade e vida. Seja bem-vindo(a)!