Dr. Cristiano Nabuco

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Videogames podem ser bons ao cérebro das crianças
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Dr. Cristiano Nabuco

contrastwerkstatt - fotolia

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Como você já deve ter percebido, a tecnologia invadiu, de maneira quase irreversível, vários aspectos de nossa vida. E, no que diz respeito à recreação dos pequenos, as coisas não poderiam ter sido muito diferentes.

Ainda que eu mesmo, várias vezes, tenha denunciado os efeitos negativos sobre o comportamento humano, um novo estudo procurou debruçar-se sobre a eventual relação entre a quantidade de tempo gasto nos games e as possíveis consequências sobre as habilidades cognitivas e sociais das crianças.

A investigação foi feita em cinco diferentes países da Europa e contou com uma amostra de mais de três mil crianças, ou seja, um número bem expressivo.

O resultado: jogar videogame pode, sim, criar possibilidades positivas.

Pesquisadores descobriram que o uso desses jogos propiciou um aumento das possibilidades (1,75 vezes) de desenvolvimento de um melhor funcionamento intelectual e um aumento (1,88 vezes) nas chances de se expandir a competência global na escola. (1)

Outro achado: descobriu-se que mais tempo gasto nos videogames foi associado a menos problemas de relacionamento com seus pares.

Importante destacar, entretanto, que apenas 20% da amostra jogava mais do que 5 horas por semana, ou seja, ao contrário do que vemos acontecer em muitas casas, onde há uma imensa dificuldade de se dar limites às crianças e aos adolescentes (que chegam a ficar “horas por dia”), uma exposição adequada pode promover o desenvolvimento de lazer colaborativo entre os filhos, afirmam os pesquisadores.

Portanto, os resultados devem sim ser comemorados, todavia, fique sempre de olho para o “quanto” desse uso deva ser permitido e, mais que isso, “sob quais condições” ele deverá ocorrer, pois essa é a linha divisória entre o benefício e o prejuízo (leia-se: para que não vire um problema).

Infelizmente, a “definição dos limites” de quando esse uso se torna prejudicial ainda é um problema entre os pais e educadores.

Como diz um velho ditado, a diferença entre o remédio e o veneno é a dose. Portanto, fiquem atentos.

© michaeljung - Fotolia.com

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Recomendações

a) Antes do acesso, procure verificar se o jogo é adequado à faixa etária de seus filhos;

b) Estabeleça um horário e um tempo de uso. Evite deixar o videogame com um acesso livre às crianças. Por exemplo, de 45 minutos a uma hora pode ser uma opção, dependendo da idade.

c) Preferencialmente, cuide para que a utilização ocorra antes do jantar e jamais antes de a criança ou o adolescente se deitarem. Além do sono ser prejudicado pela ansiedade gerada pelo jogo, a consolidação da memória do que foi aprendido na escola pode ficar seriamente comprometida; (2)

d) Acompanhe vez ou outra a experiência de seu filho durante o jogar, sentando, por exemplo, ao lado dele. Isso lhe permitirá, enquanto cuidador, “sentir” qual a mensagem que está sendo passada à criança e, além disso, ao conversar com ela a respeito (em vez de proibir), essa atitude colabora com a criação de uma consciência mais crítica na criança ou no adolescente;

e) Proponha atividades ao ar livre, onde os pais possam ativamente estar presentes. De nada adianta restringir o uso, se a criança ou o adolescente não vislumbra alguma alternativa de entretenimento e, finalmente;

f) Lembre-se que o exemplo que parte do comportamento dos pais é, de longe, um dos mais poderosos meios de modelar e influenciar o comportamento dos pequenos.

 

Referências

(1) http://link.springer.com/article/10.1007%2Fs00127-016-1179-6

(2) http://cristianonabuco.blogosfera.uol.com.br/2016/04/11/efeitos-do-uso-excessivo-da-internet-e-dos-videogames-sobre-a-memoria/


Segunda-feira: A psicologia por trás do pior dia da semana
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Dr. Cristiano Nabuco

kieferpix - fotolia

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É, de fato, comprovável que a grande maioria das pessoas descreve um sentimento não muito agradável assim que o final de semana chega ao seu fim e, principalmente, às segundas-feiras pela manhã, quando nossa jornada de vida – quer gostemos ou não – precisa ser reiniciada.

Não sei bem ao certo a razão de tal desassossego, mas é possível que nos finais de semana consigamos “desfocar” um pouco as coisas que não caminham bem e, por um pequeno espaço de tempo – dois dias, para sermos mais exatos -, podemos nos desconectar de nossas inquietudes, ao criarmos uma distância segura daquilo que efetivamente não nos faz bem e, finalmente, experimentar um pouco de alívio e de felicidade, ainda que de maneira transitória.

Vamos lembrar que é então no primeiro dia da semana, usualmente, o ponto marcado para o retorno ao trabalho. Momento em que somos obrigados, novamente, a subir no carrossel de nossa vida e, com ele, tentarmos nos estabilizar das oscilações inerentes ao cotidiano, quando também nossa consciência da falta de motivação e de sentido nos é devolvida. É como se, às segundas feiras, portanto, a realidade (nua e crua) nos fosse, a cada nova semana, descortinada, de uma só vez e pronto.

Mas, se isso lhe causa alguma inquietude, fique tranquilo, pois isso não ocorre apenas com você.

Em um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Sidney, na Austrália, um grupo de pessoas foi convidado a descrever como estavam se sentindo durante sete dias, em um determinado momento específico. (1)

No oitavo dia, ou seja, uma semana depois, eles foram indagados a respeito de como se lembraram de seus sentimentos em relação a cada dia vivido na semana anterior. Ocorre que, muito embora os relatos não indicassem lá muitas diferenças em relação à passagem do tempo, as pessoas se lembravam da segunda-feira como o pior dia de sua semana.

Mais estresse

Caso você ache que o efeito segunda-feira é apenas uma impressão, saiba então que alguns estudos têm demonstrado que, neste dia de retorno “à vida”, por assim dizer, há um aumento expressivo de estresse físico e mental gerando, possivelmente, as maiores incidências de infarto agudo do miocárdio. (2)

Isso nos faz pensar então que ao longo da semana, quando as engrenagens da vida giram, nossas necessidades subjetivas de bem-estar não podem (ou não são) tão satisfeitas como, por exemplo, conseguimos nos finais de semana.

Assim, em oposição aos dias de trabalho, aos sábados e aos domingos é como se, enfim, tivéssemos um pouco de tempo para nós mesmos (seja lá o que façamos com ele), todavia, apenas a perspectiva de manejo das situações melhores nos devolve a sensação de estarmos no controle de nossa vida. Portanto, é durante esses dois dias que nossa vitalidade volta a subir, nosso humor tende a oscilar menos, transmitindo-nos a noção de que as coisas são, de fato, mais satisfatórias do que em nosso cotidiano.

schinsilord - fotolia

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Uma outra pesquisa, que vale a pena ser citada, complementa nossa discussão: é nos finais de semana que nossas necessidades psicológicas voltam a ser preenchidas, isto é, durante esse curto período é que retomamos nossa autonomia psicológica, sentindo mais energia, vitalidade e, finalmente, mais espaços para relaxamento.

Tudo isso, porque, ao longo da semana, somos obrigados a fazer coisas que não estão sob nosso controle e, além disso, pesam sobre nós as demandas exageradas de performances, quando temos que nos relacionar com pessoas de quem não gostamos muito, o que aumenta de maneira exponencial o nosso senso de impotência e de incapacidade pessoal. (3)

Paradoxalmente, as percepções de “competência” que supostamente aumentariam no ambiente de trabalho, também não aumentam, pois são maiores em finais de semana, afirmam os pesquisadores. Além de que, durante os dias laborais, maiores foram os registros de sintomas físicos de desconforto como dores de cabeça, tontura e falta de vigor mental, por exemplo.

A investigação indicou que esse período de maior insatisfação começa a terminar às sextas-feiras à noite e vai até o domingo à tarde, quando então começamos novamente a declinar em nosso humor.

Assim eu pergunto: a segunda-feira seria, de fato, o pior dia da semana ou existiria algum componente adicional psicológico que torna esse dia, especificamente, um pouco pior?

A resposta é clara. Pensemos juntos.

Caso você desconheça, saiba então que desenvolvemos dois tipos de representações mentais em relação à passagem do tempo. Um, para os “comuns” (mais especificamente para a segunda-feira, que é o início) e outro para os finais de semana. Todos determinados por uma constelação de conceitos associados às características de um determinado dia ou período.

Fotolia - milanmarkovic78

Fotolia – milanmarkovic78

Desse ponto de vista, as representações mentais que englobam os dias que vão de segunda a sexta-feira são afetivamente negativos, enquanto que nos finais de semana carregam representações mais ricas e efetivamente positivas.

O que chamamos de “representações”, na verdade, nada mais são do que crenças a respeito de que viveremos nos dias da semana, como mais déficit de sono, mais insatisfação laboral, trânsito, frustração, alimentação incorreta, incompetência pessoal, além de outros fatores que afetam diretamente o bem-estar geral de uma pessoa.

Bem, e no final de semana, sabe o que dizem as pesquisas sobre as representações mentais? Dizem apenas e tão somente que a vida “se ilumina”.

Resumo

Estudos demonstraram que os ciclos temporais naturais (dias, meses, anos) possuem, sim, muito mais influências psicológicas do que imaginaríamos. Os achados de várias investigações demonstram que os ciclos temporais são, na verdade, socialmente construídos e também podem moldar nosso pensamento e nosso padrão de felicidade e de realização. (4)

Assim sendo, é possível que a segunda-feira tenha assumido o papel de bode expiatório ao nos lembrar que há, lá no fundo, uma infinidade de pendências pessoais que, simplesmente, não são ou ainda não foram resolvidas e que, ao nos esquivarmos delas, ingenuamente corremos em direção ao final de semana – como um filho que busca o colo protetor de sua mãe -, para que, sob as influências dos sábados e dos domingos, possamos estar mais protegidos das mazelas da vida.

Essa é uma das várias possibilidades de interpretação que está por trás do pior dia da semana.

Se tudo é, portanto, derivado de uma “construção pessoal”, que tal tentarmos algumas alternativas de enfrentamento?

Pense a respeito.

Referências

(1) http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.1559-1816.2008.00353.x/abstract

(2) http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/19345426

(3) http://selfdeterminationtheory.org/SDT/documents/2010_RyanBernsteinBrown_Weekends_JSCP.pdf

(4) http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4544878/


Como o cérebro dos adolescentes reage às mídias sociais
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Dr. Cristiano Nabuco

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Podem dizer o que for, mas simplesmente não há como negar que a vida digital e, principalmente, o acesso frequente aos sites de mídia social (como o Facebook e Instagram, por exemplo) exerce uma poderosa influência sobre a saúde mental de todos, sobretudo no que diz respeito aos usuários adolescentes.

Pesquisadores da Universidade da Califórnia, Los Angeles, tendo esta preocupação em mente, realizaram um estudo para determinar o que ocorre com os circuitos cerebrais dos jovens quando postam conteúdo nas redes sociais.

Assim, ao tomar por base o tempo gasto pelos adolescentes nessas plataformas, que podem variar de oito a dezoito horas por dia – mais do que o tempo destinado, inclusive, ao sono -, este hábito pode vir a influenciar o cérebro dos jovens, ainda em processo de desenvolvimento. (1)

O experimento

Cerca de 32 adolescentes, com idades variando entre 13-18, foram informados de que estariam navegando em uma pequena rede social, semelhante ao aplicativo que compartilha fotos, o conhecido Instagram.

Desta forma, os pesquisadores apresentaram a cada um dos participantes um total de 148 fotografias, incluindo 40 fotos que cada jovem havia selecionado, enquanto que, simultaneamente, era avaliada a atividade cerebral individual através da ressonância magnética funcional. (2)

Importante dizer que junto a cada foto também era exibido o número de “likes” que cada uma delas havia recebido de outros participantes, mas que, na verdade, era falso, pois havia sido manipulado de forma positiva pelos pesquisadores a indicar que haviam sido bem aceitas pelos demais.

O resultado mostrou que quando os jovens viam suas próprias fotos com um grande número de “likes”, o núcleo accumbens – que faz parte do circuito de recompensa do cérebro-, era fortemente ativado, isto é, ao perceberem maiores níveis de aprovação social, o cérebro reagia de maneira semelhante a quando se come chocolate ou se ganha dinheiro, por exemplo.

Na sequência, os pesquisadores perguntavam aos adolescentes quais fotos eles haviam “mais gostado”. E, adivinhe quais foram as escolhidas? Exatamente aquelas que receberam maior aceitação social – mostrando claramente a tendência de influência do grupo sobre o comportamento individual.

Um dado relevante: fotos que haviam sido postadas por outros, mas que exibiam algum tipo de comportamentos de risco, se bem avaliadas pelos demais (isto é, também indicadas com mais “likes”), surpreendentemente eram também enaltecidas por cada um, claramente demonstrando a preocupação em ficar em sintonia com a opinião geral, o que foi também responsável por uma menor ativação das redes neurais de controle cognitivo.

 A conclusão

Ficaram evidentes algumas coisas: que os jovens reagiam de forma diferente aos estímulos quando eles acreditavam que os mesmos eram endossados pela maioria de seus pares, ainda que esses “amigos”, por assim dizer, lhes fossem completamente estranhos.

O sentimento de valorização também demonstrou uma forte ativação cerebral nas áreas de recompensa e de prazer (semelhante ao que é observado em outros vícios, inclusive).

E, finalmente, a perda momentânea dos juízos de valor.

Todos esses elementos combinados, em parte, podem se tornar uma das razões pela qual postar fotos pessoais e acompanhar a oscilação do grau de aprovação ao longo do dia (olhando de maneira compulsiva os tablets e celulares) pode ser um dos mecanismos da dependência ou vício à tecnologia, inclusive, tornando mais clara a razão porque os faz gastar um tempo precioso de sua vida apenas checando as telas e desconsiderando o entorno.

E fica aqui, portanto, uma importante pergunta: Os pais deveriam estar preocupados com a influência das mídias sociais, não apenas em relação ao tempo gasto (como se isso já não fosse o bastante), mas igualmente pela interferência negativa dos exemplos de terceiros?

Sim, seguramente (e talvez os videogames, com sua natural exaltação à violência, não sejam, individualmente, os grandes modeladores dos comportamentos de risco).

Assim, muito parecido com outros meios, ambientes sociais (e agora também digitais) têm características positivas e negativas, todavia, muitas vezes, além dos aspectos já bem conhecidos, pessoas que não são de convivência próxima aos nossos filhos podem ser, de maneira silenciosa, determinantes na formação de atitudes e da personalidade, ao fazer com que os jovens, ainda em processo de formação, muitas vezes, adotem ações pouco saudáveis, mas que evoquem grande repercussão social.

Portanto, é bem possível que o cérebro dos adolescentes, frente às mídias sociais, precisem, efetivamente, ser mais acompanhados.

 

Referencias

1) http://www.usatoday.com/story/news/nation/2015/11/03/teens-spend-more-time-media-each-day-than-sleeping-survey-finds/75088256/

2) http://pss.sagepub.com/content/early/2016/05/24/0956797616645673.abstract

 


3 sinais de que uma pessoa está insegura
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Dr. Cristiano Nabuco

fotolia - Sensay

fotolia – Sensay

Obviamente que é quase impossível para qualquer um descobrir o estado emocional que é vivido por alguém em um determinado momento, apenas colhendo pistas instantâneas que são observadas em rápidas conversas, entretanto, para uma pessoa mais atenta, alguns sinais sempre fogem ao controle, deixando evidente o rastro de insegurança e vulnerabilidade psicológica que é sentido por alguém.

Assim, a seguir, descrevo alguns dos indícios mais comuns presentes nas interações e que podem ser indicativos de um sentimento transitório de inferioridade:

a) Autovalorização excessiva

Esse, talvez, um dos mais clássicos, é frequentemente encontrado nas pessoas que estão se sentindo desprestigiadas.

Como o cérebro humano em nossa evolução antepassada foi preparado para obter o destaque perante o bando, pois dessa forma se teria mais chance de liderar o grupo, prioridade na alimentação ou ainda na escolha do(a) parceiro(a), tornar-se um líder era de fundamental importância – ou também conhecido como “macho” ou “fêmea” alfa -, assim sendo, “ser bom” passou a ser  uma necessidade vital para a sobrevivência.

Dessa forma, ainda que o tempo tenha passado e não precisemos mais brigar por um pedaço de comida, muitas pessoas, quando estão se sentindo diminuídas, têm o seu cérebro inconscientemente acionado para, de alguma forma, fazer-nos voltar ao destaque e, assim, da maneira mais simples possível, um velho mecanismo entra em ação: imediatamente damos um jeito de encaixar nas conversas assuntos como: o destino da última viagem, a comida “maravilhosa” de um determinando restaurante, o objeto “exclusivo” comprado em uma das melhores lojas de grife ou, ainda, o importante cargo, ressaltando sua “importância”.

Portanto, ficar em evidência, compensa a sensação de inferioridade, resolvendo momentaneamente o problema.

fotolia - adam121

fotolia – adam121

O que essas pessoas, na verdade, não percebem é que ativar esse senso de grandiosidade de forma desproporcional e excessiva, apenas reforça um sentimento de esquiva e de rejeição pelos demais, uma vez que a soberba pessoal não é usualmente muito bem digerida pelo grupo, fazendo então com que esse indivíduo passe a ser, efetivamente, desconsiderado.

Portanto, fique atento para não criar um estigma sobre sua pessoa.

b) Incapacidade de dizer “não”

Esse é outro importante indicador de que temos um expressivo receio de magoar ou de decepcionar alguém. Assim sendo, nessa condição sentimo-nos incapazes de colocar de forma  sensata e objetiva nossas percepções e opiniões pessoais, deixando transparecer uma excessiva simpatia pelos demais, ao deixar passar uma impressão de que “faríamos qualquer coisa” pelo outro. O que, diga-se de passagem, nem sempre é verdadeiro.

Esse tipo de comportamento vem, muitas vezes, acompanhado de notada efusividade (simpatia) interpessoal, dando margem a que o outro sinta que você o “compreendeu” ou ainda é uma pessoa “muito legal” e que essa “amizade” mereceria ser cultivada, pois, afinal de contas, aparenta ser alguém demasiadamente receptivo.

Claro, tudo tem um segundo sentido que é o de aparentar sua capacidade de “conexão”, o que, diga-se de passagem, pode aumentar de maneira irreal as expectativas projetadas sobre nós e dando margens a problemas maiores como as futuras decepções.

Ocorre que muitas pessoas, na verdade, nem percebem que estão fazendo isso.

Lembre-se apenas de uma coisa: ninguém consegue ser “legal” o tempo todo. Assim, tente ser apenas e tão somente você.

c) “Congelamento” ou a incapacidade de interagir

Esse é um outro recurso que o cérebro humano lança mão para combater o senso de diminuição pessoal e semelhante a algumas categorias de comportamento animal que, quando estão se sentindo ameaçados, “paralisam” para mostrar ao inimigo ou que são inofensivas ou para serem confundidas com o entorno, diminuindo assim a chance de ataque.

Nessas situações, essas pessoas se sentem tão vulneráveis frente aos demais que literalmente “travam” e não conseguem sequer participar de uma simples interação, por mais fugaz que ela seja. E, na medida que isso ocorre, o desconforto pessoal é percebido por elas mesmas que tentam desesperadamente “agir” – na tentativa de recuperar seu lugar social.

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fotolia – vadymvdrobot

Todavia, o cérebro, percebendo a situação de profundo incômodo, ao tentar reverter a situação, dá comando para que elas “falem”, que se comuniquem de qualquer jeito, qualquer coisa serve, mas obviamente isso apenas aumenta a escalada de ansiedade, fazendo com que elas se sintam ainda mais travadas e congeladas, dando então mais força ao sentimento de exclusão pessoal.

Conclusão

Veja que nem sempre estamos em dias em que nossas habilidades sociais estão em alta, ou seja, como tudo na vida, sempre há momentos em que estamos mais abertos, enquanto outros, mais reservados e introvertidos.

E, veja, falar demasiadamente de nossas conquistas, ser muito simpático às vezes ou até ficar mais calado em algumas fases da vida, na verdade, é algo absolutamente normal e não deve ser fonte de preocupação. Todavia, a dica vai para quando esses mecanismos tendem a se repetir frequentemente com a passagem do tempo, engessando-nos emocionalmente ao fazer- nos agir sempre da mesma maneira e criando, portanto, problemas maiores de sociabilidade e de relacionamento.

Aqui, portanto, estariam algumas das bases futuras dos quadros de transtorno narcisista, da fobia social, dentre outros.

Assim, fique atento quando esses mecanismos deixam de ser um problema e se tornam um “padrão” constante de interação e que, portanto, deveriam ser objeto de cuidado e de mudança pessoal.

A boa notícia? Está aí a psicoterapia moderna para lhe ajudar a transformar esses padrões. Felizmente, há saída (tratamento) para quase tudo. Só permanece inseguro e mal resolvido quem quer.


Quando uma “selfie” não termina bem
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Dr. Cristiano Nabuco

 Kletr - fotolia

Kletr – fotolia

Na semana passada, um turista japonês de 66 anos e um de seus colegas de viagem rolaram escadaria abaixo no monumento indiano Taj Mahal. Um deles veio a falecer, enquanto o outro sofreu ferimentos na perna.

Até aqui, nada de muito incomum, correto? Uma notícia de um acidente cotidiano.

Entretanto, algo não vai parecer muito sensato, se soubermos que o final trágico ocorreu por que eles tentavam, na verdade, achar um melhor ângulo para tirar uma “selfie”. (1)

Em Moscou, citando apenas outro exemplo, uma mulher de 21 anos ficou entre a vida e a morte ao disparar uma arma de maneira acidental, enquanto se preparava para uma “selfie” mais “ousada”.

No mesmo país, registrou-se também o caso de um grupo de jovens que foi eletrocutado ao encostar em fios de alta tensão quando se alinhavam para tirar uma “selfie” sobre os trens. (2)

Achou pouco? Calma, tem mais.

Na Espanha, um homem de 32 anos estava participando do festival anual de corrida de touros na cidade de Villaseca de la Sagra e, na tentativa de tirar uma “selfie” junto a um dos animais, foi chifrado mortalmente. (3)

Nos Estados Unidos, o Parque Colorado está enfrentando problemas de segurança dos visitantes, pois, na tentativa de registrar uma boa “selfie”, a distância mínima de segurança dos ursos não está sendo observada. Para evitar problemas, o parque decidiu fechar as portas. (4)

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wollertz – fotolia

No parque nacional de Yellowstone uma mulher se aproximou tanto de um bisão, na tentativa de uma “ótima” selfie, que acabou sendo atacada. A coisa está tão séria que o Serviço Florestal dos EUA está emitindo “avisos”. (5,6)

Outro registro: uma romena, fã de selfies, morreu após ser eletrocutada ao tentar fazer um autorretrato no alto de uma estação de trem na cidade de Iasi, nordeste da Romênia. (7)

Veja que os exemplos não param.

Para se pensar

Os autorretratos digitais, uma nova forma de expressão social, além de marcar um momento ou registrar um acontecimento, sabe-se que são uma das forças motrizes mais significativas por trás do comportamento atual de autopromoção.

O fenômeno cultural da “selfie” expõe assim um desejo humano de se sentir notado, apreciado e, principalmente, reconhecido.

Em uma época em que as imagens podem ser compartilhadas de maneira quase que infinita, a imagem que hoje é postada pode ser aperfeiçoada em uma riqueza ilimitada de detalhes, constituindo aquilo que se denomina de “exuberância do momento”.

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© berc – fotolia

Veja só: dados apresentados pela Samsung, por exemplo, demonstram que essa tendência é tão expressiva que 36% dos instantâneos tecnológicos não são publicados da forma que foram tirados, mas que, na verdade, são retocados pelos seus donos antes de seguirem para seu destino final (redes sociais, como Facebook, 48%, Whatsapp, 27% etc).

É como se cada um, atualmente – celebridade ou não, não importa -, pudesse assegurar momentos de glamour e de singularidade pessoal no palco da sua e na vida dos outros.

Em um artigo da Revista “Psychology Today”, Pamela Rutledge, diretora de Psicologia e Mídia do Centro de Investigação em Boston (Massachusetts), afirmou que: “as ‘selfies’ muito frequentemente têm o poder de desencadear a busca excessiva de atenção e de dependência social, indicativas da baixa autoestima e do narcisismo pessoal”. (8)

Conclusão

É possível que as “selfies” tenham se tornado uma manifestação social que evidencia a obsessão pela aparência, somado à exibição da vida privada na forma de reality-shows-pessoais, arquitetando, como resultado final, um senso autoinflado que permite às pessoas acreditarem que seus amigos ou seguidores estariam, de fato, interessados em vê-los vivendo seu cotidiano (o que comem, o que vestem, onde vão etc).

Esse comportamento poderia ser interpretado, na verdade, como se as pessoas estivessem de frente a um espelho, olhando-se o dia todo, e o pior: deixando que os outros os vejam fazer isso, sem qualquer senso de constrangimento, vergonha ou intimidação pessoal, o que é bem pior.

© Feng Yu - fotolia

© Feng Yu – fotolia

Quando capturar algo que na câmera tem a prioridade sobre o que acontece à nossa volta, isso pode ser indicativo de um problema real. Ficar conectados com as imagens, mas desconectados de nós mesmos, nos cria um verdadeiro dilema: como eu posso esperar que os outros prestem atenção a mim se nem eu mesmo consigo descrever o que está ocorrendo comigo?

Documentar a experiência não pode, jamais, ser mais importante do que vivê-la (ainda mais quando estamos colocando nossa integridade física em risco), certo?

Fique atento! Evite assim que sua “selfie” não termine bem.

 

Referências

(1) http://www.bbc.com/news/world-asia-india-34287655

(2) http://www.redetv.uol.com.br/jornalismo/da-para-acreditar/jovens-sao-eletrocutadas-ao-tentar-fazem-selfie-em-cima-de-trem-na-russia

(3) http://edition.cnn.com/2014/07/14/travel/spain-pamplona-selfie/

(4) http://mashable.com/2015/09/15/colorado-park-bear-selfies/#LnH3Pu.AmEqw

(5)    http://mashable.com/2015/07/22/bison-selfie-yellowstone/#J6yoDhCvMqqL

(6)    http://mashable.com/2014/10/27/bear-selfies/#mIzP3UgS28qW

(7)    http://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2015/05/romena-morre-eletrocutada-ao-tentar-selfie-no-topo-de-estacao-de-trem.html

(8)     https://www.psychologytoday.com/blog/positively-media/201307/selfie-use-abuse-or-balance


Consequências psicológicas da corrupção
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Dr. Cristiano Nabuco

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© AGPhotography – fotolia

De fato, não é novidade para ninguém que nosso país se afunda na corrupção. Dos mais baixos aos mais altos escalões, todos os dias e de maneira incansável, somos bombardeados por notícias de desvios, subornos e atos ilícitos praticados pelas pessoas.

Não duvido que até tenha se tornado, de alguma maneira, folclórico no Brasil, conviver com informações dessa natureza. Entretanto, além de corroer, como um câncer, a saúde e nosso equilíbrio econômico, acredito que estar exposto a esse tipo de ocorrência pode gerar efeitos psicológicos ainda maiores nas cabeças ainda em formação.

Eu explico.

Quando crianças, vários estudos já atestam a necessidade de sermos conduzidos por pessoas que nos eduquem a partir de valores claros e bem delineados a respeito do mundo ao nosso entorno e de nosso comportamento. Por exemplo: pais que conseguem transmitir aos filhos valores precisos que envolvam segurança (apoio psicológico) e limites são aqueles mais afortunados na criação de uma boa base de saúde mental para a vida futura de seus pequenos.

Por sua vez, lares onde os cuidadores alternam seus cuidados, ou seja, ora tornando-se presentes, ora ausentes, seja por repetição dos modelos familiares, doença, ou até por negligência emocional, onde o afeto sistematicamente surge e desaparece, abre-se um espaço para que a insegurança e a incerteza se tornem um parâmetro na vida emocional dos filhos. Desnecessário elencar aqui as centenas de pesquisas que relacionam os modelos pobres de afeto materno e/ou paterno ao uso abusivo de álcool e drogas, comportamento antissocial, depressão etc.

Assim sendo, se a pessoa no micro entorno (leia-se: família) sentir-se desassistida, pode criar efeitos nefastos para a saúde mental futura, qual seria então a consequência de estarmos expostos a atos contínuos e repetidos de corrupção? Mais especificamente: que tipo de impacto isso poderia causar no imaginário psicológico das pessoas?…

Para se pensar, não é mesmo?…

Sabemos que nosso cérebro facilmente se adapta às mais variadas situações, ou seja, nossa mente opera dentro do que se denomina de “plasticidade cerebral”. Isso quer dizer que tudo aquilo que, a princípio, se mostra absurdo aos nossos julgamentos, rapidamente, com a repetição, passa a ser entendido como algo comum e “normal”.

Quer um exemplo?…

Vamos lá: jovens que utilizam videogames violentos tornam-se tolerantes às situações de agressividade. Pesquisas mostram que essas crianças, especificamente, quando expostas a ocorrências de crueldade e selvageria interpessoal, são aquelas que mais tempo levam para recorrer à intervenção de um adulto, se comparadas àquelas que não foram expostas às mesmas situações. Ou ainda, as crianças sujeitas às situações de barbárie são as que se apresentam mais anestesiadas às transgressões sociais do que outras (em função de um processo psicológico denominado “habituação”).

Portanto, conviver com agressão e desrespeito, faz com que crianças e jovens se tornem insensíveis a esse tipo de situação.

Bem, e conviver com a ambivalência de valores e a corrupção?…

Por partes. Vamos antes a um possível início?

Origens

Embora não seja historiador, sabemos que muitos de nossos colonizadores tinham no Brasil um local de exploração de madeira, pedras preciosas e mão de obra escrava. Desde nossos primórdios, nosso país foi tido como um território de proveito e de utilização de recursos encontrados em abundância.

E, durante muitos séculos, essa foi a mentalidade prevalente, ou seja, tudo que seria de valor e que pudesse ser explorado era passível de ser exportado aos territórios ultramarinos.

Creio que essa ideia se instalou fortemente em nossa gente, ou seja, ainda que o Brasil Império tenha acabado há séculos, a mentalidade social ainda é permeada pela tentativa de se obter benefícios e vantagens a qualquer custo. As pessoas ultrapassam pelo acostamento, jogam lixo pela janela do carro, sonegam impostos, ou seja, prevalece quase que sempre a lógica da vantagem individual em detrimento da coletividade.

Consequências

É possível então que, à medida que as gerações tenham testemunhado atos contínuos de desrespeito social ao longo dos séculos nos mais variados níveis, nossos princípios morais tenham sido, de alguma maneira, alterados e, sem que percebamos, acabamos nos tornando mais tolerantes a esse tipo de situação.

Talvez nosso senso de cidadania tenha ficado, de alguma maneira, deformado, ao nos conferir a falsa ideia de que vivemos em um local onde cada um está autorizado a fazer aquilo que mais lhe satisfaz e lhe beneficia (quem não se recorda da história do “jeitinho” brasileiro?).

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Dessa forma, como consequência, em nosso imaginário impera a individualidade e a lei da sobrevivência, isto é, semelhante a uma casa onde habitam crianças sem que os pais possam exercer sua autoridade, sentimo-nos, muitos de nós, vivendo em uma terra sem lei e sem princípios.

No inconsciente coletivo dos dias de hoje, não seria então de se estranhar que os filhos não mais respeitam tanto seus pais, alunos sentem-se a vontade para agredir seus professores, black-blocs acreditam ser legítimo danificar propriedades alheias, torcedores sentem-se no direito de vandalizar estádios e oponentes, minorias devem mesmo ser perseguidas e por aí vai, ou seja, onde bem você focar sua atenção, seguramente achará algum tipo de ocorrência dessa natureza.

Conclusão

Eu sei que até pode parecer meio pretensioso de minha parte tentar juntar todos esses fenômenos em apenas um texto, tenho plena consciência, mas tenha esses parágrafos como uma tentativa ou até um ensaio mental de entendimento de nossos dias.

Não tenho dúvidas que nossa coletividade atual vive um estado de grande depressão psicológica, pois ficamos desacreditados de tudo e de todos, desesperadamente buscando alguma alternativa que sirva de remédio à grande desilusão social que nos aplaca e que, de alguma maneira, nos impede que voltemos a acreditar em alguma coisa.

Voltando à realidade então: como atenuar a exposição a modelos deteriorados de comportamento social e antiético junto aos filhos?…

Minha resposta mais simples é: “delimite regras”.

Não tenha receio de usar suas crenças e valores como parâmetros firmes e claros de educação e de convivência social. Um ponto fixo no meio da escuridão sempre oferece uma boa orientação no mar de ambivalência de princípios que hoje habitamos. Se você sente que isso falta na sociedade, comece então criando e reforçando a ordem em sua própria casa.

Combater a corrupção, a falta de cidadania e de ética pode sim ser alterado a partir de nossa relação com nossa própria família, filhos, funcionários e amigos.

Sabe como? Dê o exemplo.

Quando somos fieis aos nossos valores, ajudamos nossos pequenos e o entorno a não se anestesiar com o absurdo de nossa realidade, ao criarmos um trilho definido de ética, juízos positivos e bons conceitos.

Pense nisso.


Pets e nossa saúde
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Dr. Cristiano Nabuco

© aleksandr - fotolia

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Não é segredo para ninguém que os seres humanos têm uma conexão especial com os animais. Pat Shipman, paleantropologista da Penn State University, sugere que esta conexão “homem-animal” vai muito além do simples afeto que imaginamos.

Propõe a pesquisadora que a interdependência dos seres humanos ancestrais com outras espécies animais – a chamada “conexão animal” – desempenhou um papel crucial na evolução humana ao longo dos últimos 2600 anos. (1)

Portanto, estabelecer uma ligação íntima com outros animais é uma tendência não observada em nenhuma outra espécie e, nesse sentido, o convívio próximo nos trouxe uma série de vantagens.

Nos dias de hoje

Não sei se você sabe, mas no mundo todo o convívio com os animais e, principalmente os animais de estimação, atinge marcas espantosas. No Brasil, por exemplo, registra-se a marca de 106,2 milhões de pets em 2014, ou seja, o equivalente a quase um animal de estimação para cada duas pessoas. (2,3)

Intuitivamente já sabemos, e nem precisaria de pesquisas para atestar que a relação que desenvolvemos com os animais de estimação pode ser bastante positiva. Embora não seja das tarefas mais fáceis ter que manejar essa rotina, todo o esforço, no final das contas, vale muito a pena.

Eu explico.

Segundo vários estudos, os donos de animais de estimação são mais saudáveis, possuem maior autoestima e relatam menores níveis de solidão, se comparados aos que não têm animais em casa. (4)

E não é só isso: ter um “pet” em casa também está correlacionado a maior extroversão e menores níveis de medo, segundo a Associação Americana de Psicologia (5).

Entende-se que os animais de estimação possam servir como uma importante fonte de apoio emocional, tornando as pessoas mais conscientes, não apenas para a saúde de seus amigos de estimação, mas também com sua própria saúde. É como se a rotina de cuidado com nossos amiguinhos fosse também progressivamente incorporada por nós, melhorando nossa saúde. (6)

Embora ainda não existam evidências, acredita-se que as relações com os animais apareçam, muitas vezes, em função dos relacionamentos insatisfatórios que se desenvolve em certas fases da vida, fazendo então com que os animais se tornem uma importante figura de apoio, troca de afeto e, além disso, aumentando o senso de pertencimento dessas pessoas (isto é, um verdadeiro antídoto para episódios de isolamento e rejeição).

Portanto, os animais podem beneficiar a vida de seus proprietários, tanto psicológica como fisicamente.

Pets e as crianças

Vários estudos apontam para o impacto positivo que os animais de companhia podem oferecer não apenas aos adultos, mas igualmente aos nossos filhos.

Quer saber alguns exemplos?…

Um estudo mostrou que crianças que tiveram um cão durante o primeiro ano de vida apresentaram uma melhor resposta imunológica (31% menos infecções) do trato respiratório do que aquelas que não tinham seus animais de estimação, ou seja, a exposição a animais de estimação no início da vida pode estimular expressivamente a imunidade infantil. (7)

© highwaystarz - fotolia

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As crianças de famílias proprietárias de cães também tiveram menos infecções de ouvido – com 44% menos do que as crianças que não possuíam animais em casa -, inclusive, usando menos antibióticos, apontaram os pesquisadores.

Mais efeitos?…

As crianças expostas a um animal de estimação demonstram mais empatia para os seres humanos, se comparadas a crianças não expostas. Ao que tudo indica, trocar afeto com nossos parceiros de quatro patas, exercita nossa capacidade de expressar emoções e sentimentos. (8)

Além disso, crianças que possuem pets estão mais envolvidas em atividades como esportes, passatempos, clubes ou realização ativa de tarefas, se comparadas às que não os possuem. (9)

Famílias pesquisadas em outra investigação relataram um aumento significativo na felicidade de seus membros após a aquisição de animais de estimação. (10)

Outros exemplos?… Crianças com autismo, na companhia de seus pets, apresentaram mais comportamentos sociais do que aquelas sem a presença dos animais em sua casa. (11)

Crianças que possuem animais de companhia, para citar outra investigação, pontuaram significativamente mais em escalas de empatia e de orientação pró-social, do que as não-proprietárias dos pets. (12)

Enfim, os exemplos e os benefícios são inúmeros e, como vimos, não acontecem apenas agora, mas são bastante antigos.

Conclusão

A biologia dos seres humanos, desde seu nascimento, lhe impele na troca de afeto e de emoções como parte importante de nosso desenvolvimento psicológico. Portanto, quanto mais interações tivermos, mais capazes nos tornaremos na vida adulta.

Nada de novo até aqui, entretanto, vale lembrar que uma parcela expressiva das pessoas apresenta maiores níveis de embotamento emocional, o que as impede de praticar essas trocas sociais. Creio então que neste momento os animais de estimação façam seu papel, pois nos acompanham, estimulam e mantêm em operação muitas dessas nossas necessidades emocionais.

É possível que os pets consigam dar aquilo que a vida, muitas vezes, nos privou: o afeto.

Desafio alguém a se recordar de um bom momento de sua infância em que não esteja preenchido da memória de algum animal de estimação. Portanto, lá estarão eles, sempre cumprindo seu papel, ao apaziguar nossas inquietudes e nos ajudar a sermos mais saudáveis.

Referências

  1. http://science.psu.edu/news-and-events/2010-news/Shipman7-2010
  2. http://www.petbrasil.org.br/mercado-brasileiro
  3. http://www.ibge.gov.br/apps/populacao/projecao/
  4. Zasloff, R.L. & Kidd, A.H. (1994). Loneliness and pet ownership among single women. Psychological Reports, October, 75(2), 747-52
  5. http://apa.org/news/press/releases/2011/07/cats-dogs.aspx
  6. James Serpell PhD: Beneficial effects of pet ownership on some aspects of human health & behaviour, Journal of Royal Science of Medicine, Volume 84, December 1991
  7. Hesselmar, B,, Aberg, N. Aberg, B., Eriksson, B. & Bjorksten, B. (1999). Does early  exposure to cat or dog protect against later allergy development? . Department of Pediatrics, University of Goteborg, Goteborg, Sweden. Clinical Exp Allergy, May; 29(5): 611-7.
  8. Ascione F. R. (1992). Enhancing children’s attitudes about the humane treatment of animals: Generalization to human-directed empathy. Anthrozoös 5 (3) 176-191
  9. Melson, G.F. (1990). Pet ownership and attachment in young children: Relations to behavior problems and social competence. Paper presented to the annual meeting of the Delta Society, Houston, TX.
  10. Cain, A.O. (1985). Pets as family members. Marriage and Family Review, 8, 5-10.
  11. Redefer, L.A. & Goodman, J.F. (1989). Brief report: Pet-facilitated therapy with autistic children. Journal of Autism and Developmental Disorders, 19, 461-467
  12. Vidovic, V.V., Stetic, V.V. & Bratko, D. (1999). Pet ownership, type of pet and socio-emotional development of school children. Anthrozoös, 12(4), 211-17.

A psicologia dos “selfies”: autoexpressão ou sinal de problemas?
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Dr. Cristiano Nabuco

© berc - fotolia

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De acordo com fstoppers.com – uma importante comunidade profissional de fotografia e vídeo -, cerca de 10% de todas as fotos já tiradas ocorreram nos últimos 12 meses. Outra fonte revela que apenas o Facebook foi o principal destino de 4% dessas imagens.

Portanto, quando falamos em fotografia em tempos modernos, os números não são nem de longe inexpressivos, ou seja, nada menos que 880 bilhões de retratos foram feitos apenas em 2014. E, vale dizer: uma parcela relevante foi tirada de nós mesmos na forma de autorretratos ou “selfies”.

É evidente que não é de hoje que nos representamos através das imagens. A arte rupestre, por exemplo, seria uma boa demonstração dessa tendência, entretanto, quando somos informados de que esses “selfies” chegam a contabilizar a marca de um bilhão a cada dia – segundo aponta stylecaster.com -, é possível que esse número diga alguma coisa a mais.

Que os “selfies” tenham se tornado uma versão moderna de comunicação e valorização social, até seria compreensível, mas até que ponto se autofotografar de maneira insaciável seria ainda um resquício artístico de tendências pré-históricas? Na verdade, não sabemos responder.

Os autorretratos digitais, uma nova forma de expressão social, além de marcar um momento ou registrar um acontecimento, sabe-se que uma das forças motrizes mais significativas por trás desse comportamento é a promoção pessoal. O fenômeno cultural do “selfie” expõe assim um desejo humano de se sentir notado, apreciado e, finalmente, reconhecido. Portanto, mesclam arte, conexão social e padrões de autoimersão (Georgia University).

Mas, indo um pouco mais além, eu me pergunto: qual seriam os efeitos reais que os “selfies” teriam o poder de evocar?…

A primeira e mais forte função, creio eu, seria a de transmitir a sensação (“falsa”, diga-se de passagem) de intimidade e amizade com o fotografado, ou seja, a documentação visual que é criada pelo autor revela-se, muitas vezes, mais poderosa que a memória – que se dilui -, uma vez que ocorre dentro de um lapso, perdendo-se no tempo.

Além disso, a imagem que hoje é postada na forma digital pode ser compartilhada e  aperfeiçoada em uma riqueza infinita de detalhes, constituindo aquilo que se denomina de “exuberância do momento”.

Dados apresentados pela Samsung, por exemplo, demonstram que essa tendência é tão expressiva que 36% dos instantâneos tecnológicos não apenas são publicados da forma que foram tirados, mas que, na verdade, são retocados pelos seus donos antes de seguirem para seu destino final (redes sociais como Facebook, 48%, Whatsapp, 27% etc).

É como se cada um, atualmente, – celebridade ou não, não importa -, pudesse assegurar momentos de glamour e de singularidade pessoal no palco da vida. Se, antes da criação da internet e das redes sociais, uma fotografia poderia ser exposta apenas a um pequeno grupo, hoje essa marca sequer pode ser estimada. As fotos que vão para a web, tornam-se eternas nas memórias da rede mundial.

Existem opiniões diversas a esse respeito. Há quem fique satisfeito ao saber que suas experiências podem permanecer, de fato, como que eternizadas, muito embora existam posições contrárias.

© Feng Yu - fotolia

© Feng Yu – fotolia

Veja só: num artigo da Revista “Psychology Today”, Pamela Rutledge, diretora de Psicologia e Mídia do Centro de Investigação em Boston (Massachusetts), afirmou que: “os ‘selfies’, muito frequentemente têm o poder de desencadear a busca excessiva de atenção e de dependência social, indicativas da baixa autoestima e do narcisismo pessoal”.

Isso nos sugere então que o limite entre o sensato e o imprudente, quando o assunto é autopromoção visual, possa ser algo bastante frequente.

Um estudo do Reino Unido, envolvendo 2.071 sujeitos com idade variando entre 18 e 30 anos, revelou que, quando se trata de tirar fotografias, 39% preferiram tirar fotos de si mesmos, ao invés de seus familiares, amigos, ou ainda, os animais de estimação.

Assim sendo, a forma como alguém se apresenta ao mundo se tornou um elemento-chave, onde, na superfície, a tendência comum do fenômeno poderia ser compreendida como uma espécie de autoafirmação que tem o poder de carregar características inegavelmente egocentradas.

Por outro lado, é possível que as “selfies” tenham se tornado uma manifestação social que evidencia a obsessão pela aparência, somado à exibição da vida privada na forma de reality-shows-pessoais, arquitetando, como resultado final, um senso autoinflado que permite às pessoas acreditarem que seus amigos ou seguidores estariam, de fato, interessados em vê-los deitados na cama, almoçando, abraçando alguém ou ainda, saberem que roupa estão usando.

Esse comportamento poderia ser interpretado, na verdade, como se as pessoas estivessem de frente a um espelho, olhando-se o dia todo, e o pior: deixando que os outros os vejam fazer isso, sem qualquer senso de constrangimento, vergonha ou intimidação pessoal.

Entretanto, caso você ainda não saiba, isso pode ter implicações bastante adversas.

Eu explico.

Essa forma de narcisismo excessivo, apontam alguns estudos, pode ter efeitos devastadores sobre as relações pessoais e no local de trabalho.

Um estudo recente do Reino Unido concluiu que o fenômeno “selfie” pode ser prejudicial para a convivência como um todo, uma vez que o compartilhamento de fotos de maneira excessiva pode, na verdade, fazer com que os pares vejam as pessoas como menos simpáticas, em função do exagero na autopromoção.

Para concluir, o mesmo estudo descobriu que o aumento da frequência de postagens esteve relacionado a uma diminuição na intimidade com o grupo de referência, pois conseguiu aumentar a competição entre os amigos.

Resumo: o efeito final de uma “selfie” pode ser totalmente contrário – um tiro no pé -, ao trazer ao fotografado o ciúme, o despeito e, finalmente, a rivalidade interpessoal.

Conclusão

Muitas vezes ficamos tão ocupados controlando a imagem, que iremos revelar ao mundo que acabamos perdendo o verdadeiro contato com os momentos que constituem a singularidade da vida concreta.

Quando capturar algo que na câmera tem a prioridade sobre o que acontece à nossa volta, isso pode ser indicativo de um problema real, ou seja, passamos a ficar conectados com as imagens, mas desconectados de nós mesmos, ao criar um verdadeiro dilema: como eu posso esperar que os outros  prestem atenção a mim se nem eu mesmo consigo descrever o que está acontecendo à minha volta?…

Documentar a experiência não pode, jamais, ser mais importante do que vivê-la.

Pense nisso.


O efeito Tinder nos relacionamentos
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Dr. Cristiano Nabuco

© Coka - fotolia

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Caso você ainda não saiba, “Tinder” é um aplicativo de relacionamento que, ao selecionar fotos e alguns dados extraídos de sua conta no Facebook, permite que o usuário fique disponível a um eventual relacionamento para ser avaliado por interessados(as).

Embora tenha sido lançado em janeiro do ano passado e, rapidamente, atingido a marca de um milhão de usuários, em dezembro de 2013 já contabilizava 500 milhões de perfis, crescendo na ordem de 15% a cada semana.

Sean Rad, CEO da empresa, disse que o Tinder “veio para resolver um problema fundamental que as pessoas têm em relação à descoberta de outras pessoas”, ou seja, segundo o executivo, uma parte expressiva dos indivíduos não consegue ter uma boa noção a respeito de quando alguém está, efetivamente, interessado nelas e, desta forma, o aplicativo “resolve”, de maneira rápida e prática, o impasse situacional.

Além disso, o Tinder igualmente auxilia na quebra de outra grande barreira que, muitas vezes, precisaria ser contornada junto aos que são prejudicados por elementos imponderáveis (como, por exemplo, o que dizer, como se apresentar, decidir ser ou não mais espontâneo etc), além do fato de praticamente eliminar alguns elementos da comunicação não-verbal (gestos e posturas) que agem de maneira decisiva, influenciando positiva ou negativamente o resultado final da “abordagem”.

Dessa forma, com esses empecilhos resolvidos, o usuário ainda tem o conforto de fazer seu processo de escolha e seleção desde casa ou da privacidade de seu ambiente, o que lhe transmite, obviamente, uma maior sensação de controle. Resumo da ópera: não precisamos mais dos ambientes físicos, caso desejemos conhecer alguém. Basta nos conectar ao aplicativo e pronto. Quase como um jogo, vamos marcando pessoas de nosso agrado até que, no caso de sermos também selecionados, a conversa pode se iniciar.

A mídia já noticiou amplamente a eficácia do Tinder, bem como pessoas também me relataram a respeito das chances reais de criar novos relacionamentos através do aplicativo. Assim, partindo desse cenário, é possível então que consideremos que as questões conjugais estejam então resolvidas, certo?…

“Talvez”, respondo eu, pois as maiores lições do efeito Tinder são, em minha opinião, mais psicológicas do que poderíamos imaginar. Embora eu ainda não tenha formado uma ideia mais ampla a respeito da sua real utilidade, algumas questões já poderiam ser consideradas:

• Aplicativos de namoro podem ser mais estimulantes do que as práticas reais da vida real?

Em nossa era tecnológica, as formas de estabelecer novos laços invariavelmente passam pela internet e pelas redes sociais. Caso você ainda não saiba, segundo um artigo publicado no The Wall Street Journal no ano passado, de acordo com os advogados especializados em divórcio nos EUA, 80% dos casos recentes são decorrentes de relações que começaram online, que incluem trocas de e-mails, mensagens de texto e contatos frequentes via Facebook. Outra fonte já aponta que na França, 50% dos casos de divórcio tiveram origem nas redes sociais.

FONTE: imagem do website www.tinder.com

FONTE: imagem do website www.tinder.com

Portanto, é possível que o romantismo, elemento considerado como uma das molas-mestras de qualquer relação, tenha se reduzido a algumas linhas de cantadas digitadas que são mescladas com emoticons e que, nem de longe, captam a intensidade de nossas emoções, pois além de reduzir nossa capacidade de expressão, não conseguem aferir o grau de aceitação do outro a nosso respeito.

• A personalidade eletrônica pode ser positiva?

Embora ela não seja real, essa identidade eletrônica é o meio através do qual nos expressamos nas redes sociais. Essa versão psicológica de nós mesmos é cheia de vida e de vitalidade e não parece ser afetada pelas velhas regras de comportamento, trocas sociais e etiquetas do cotidiano.

Na vida digital, as pessoas se tornam, por exemplo, mais assertivas, menos contidas e, decididamente, mais desobedientes, pois a e-personalidade age como uma força que libera os indivíduos a transcenderem suas limitações ao permitir que as inibições possam ser facilmente superadas.

Assim, a personalidade eletrônica possibilita uma oportunidade para que as vivências da vida virtual possam se sobrepor às limitações encontradas no cotidiano. Em muitos casos, inclusive, essa versão virtual complementaria a personalidade real ao atuar como uma extensão de nossa “persona”. Tal desenvoltura poderia ser compreendida como um modelo “recriado” (ou melhorado) de nós mesmos ao oferecer um senso maior de eficiência interpessoal – algo funcionando com um “terceiro braço”.

A grande questão, entretanto, é o momento no qual o encontro virtual deva ter seu seguimento consumado no mundo físico e a dúvida, muito possivelmente, não será daquelas mais comuns que tanto temos, como decidir a respeito de qual roupa usar ou ainda que lugar sugerir, mas (aqui vem o problema) “qual” personalidade apresentar?

Devemos levar conosco uma versão de nosso perfil digital, que é aquele recheado de glamour e de selfies realizadores – e que serviu de base para que fossemos escolhidos – ou agir de acordo com nossa personalidade real?… Pois é, este é, efetivamente, um grande impasse.

• Estaríamos perdendo a capacidade de interação?

Se formos pensar tecnicamente, a corrida da atratividade tornou-se muito mais obra dos algarismos psicométricos de combinação do que nossa habilidade real de escolha ou de ser escolhido. Veja que, nesse caso, um programa define “quem” potencialmente poderia nos interessar, tirando assim de nosso controle as possibilidades de direcionar nosso destino. Considerando que muitos usuários gastam uma quantidade expressiva de tempo cuidando de seus perfis nas redes sociais, aumentar o nível de atratividade pessoal se tornou praticamente fruto direto da habilidade de cada um de manejar seus perfis virtuais.

Assim, possivelmente, muitas dessas pessoas preferem julgar 50 fotos em dois minutos do que gastar 50 minutos avaliando um parceiro em potencial. Gastar 90% de seu tempo focado apenas na elegibilidade da aparência de alguém pode se revelar, ao final, um enorme equívoco.

Acho que não seria nada mal nos lembrarmos que a originalidade e os atributos psicológicos não podem jamais ser substituídos por algum programa estatístico e que nossa personalidade ainda seja uma das formas mais eficazes de se encontrar alguém. Seja ela do jeito que for.

Entenda que achar a sua alma gêmea não pode ser reduzido, nunca, a uma possibilidade algorítmica de um aplicativo da web.

Pense nisso.

O efeito Tinder nos relacionamentos pode ser maior do que se imagina.


Como anda sua conta bancária? Saiba que dívidas altas podem afetar sua saúde
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Dr. Cristiano Nabuco

© Andy Dean – Fotolia.com

Jovens adultos com dívidas muito altas podem apresentar mais problemas de pressão alta, piora de sua percepção pessoal e maior declínio na saúde mental, se comparados àqueles sem problemas monetários mais expressivos. Pelo menos, é o que diz um estudo publicado neste mês pelo periódico Social Science and Medicine.

“Estamos vivendo em uma economia com altos níveis de endividamento”, diz Elizabeth Sweet, uma das autoras.

O estudo usou dados de um estudo longitudinal (feito repetidamente, durante longo período e com uma ampla base de entrevistados) realizado com 8.400 jovens adultos com idades variando entre 24 e 32 anos.

Investigações anteriores já haviam encontrado evidências de que ficar endividado pode afetar a saúde psicológica, mas essa é a primeira a fazer um paralelo também com a saúde física.

Diga-me, você também é do tipo de pessoa que joga tudo no cartão de crédito, ficando longos períodos de tempo no “crédito rotativo”? Se sim, é bom ficar de olho bem aberto.

O mais incrível nesta pesquisa, em minha opinião, foi saber que 20% dos participantes afirmavam que continuariam com dívidas, mesmo que liquidassem suas contas maiores, ou seja, ao que tudo indica, estar endividado acabou virando um hábito (péssimo, por sinal) para essa parcela do grupo.

Veja ainda que curioso: Quanto maiores eram as dívidas, piores foram os níveis de estresse verificados em cada pessoa, bem como maior foram as medidas de depressão apuradas e, por fim, mais alta a pressão sanguínea (o que poderia aumentar o risco de ter um AVC, segundo os autores).

E, para concluir, os achados também apontaram que o estresse percebido nos indivíduos mais endividados foi quase 12% maior do que se comparados àqueles sem dívidas.

Conclusão

Procure, sempre que possível, cuidar de sua saúde financeira, pois ela pode ser um dos principais gatilhos de uma piora na qualidade de sua vida.

Crédito muito fácil, aliado à falta de controle pessoal (como comprar de maneira impulsiva, por exemplo), pode contribuir para que passemos a andar mais frequentemente no limite do abismo. Se, hoje em dia, viver já não é das tarefas mais fáceis, por que então complicar as coisas, não se planejando economicamente?

Seria bom pensar no assunto!